O ronrom

El ronroneo. Comportamiento Gato

Se existe um som característico e único nos gatos é o ronrom. Qualquer dono de um gato já o ouviu em algum momento. Porém, este som tão peculiar não é exclusivo desta espécie doméstica, também está presente noutros felinos selvagens, tal como a chita ou o serval.

Mas apesar de ser uma característica tão comum nos felinos, hoje em dia ainda não se tem a certeza como se produz nem quais as suas funções. No entanto, vamos ver aquilo que até agora se sabe.

  • O que é o ronrom?

Alguns autores definem o ronrom como um zumbido suave e contínuo, exclusivo dos felinos (e das ginetas), que é acompanhado de uma vibração palpável sobre o corpo do animal.

Outra característica do ronrom é que varia ritmicamente com a respiração e parece ser mais intenso e audível durante a inspiração.

Nos gatinhos, o ronrom aparece nos dois primeiros dias de vida e vai aumentando de intensidade ao longo das semanas seguintes, chegando a ser como o dos gatos adultos aos 5 meses de idade, aproximadamente.

  • Como é que se produz o ronrom?

Ao longo dos anos descreveram-se inúmeras teorias sobre os mecanismos que provocam o ronrom.

Uma das primeiras, formulada na década de 1960, foi a chamada teoria “hemodinâmica”, segundo a qual o ronrom se produzia pela passagem do sangue por várias angulações dos grandes vasos sanguíneos do tórax. No entanto, mais tarde, comprovou-se que esta teoria estava errada.

Depois, pensou-se que eram as vibrações do palato mole as que davam lugar a este característico som, mas atualmente a teoria mais aceite é que se produz pela modulação do fluxo de ar ao passar pela laringe. Desta forma, mediante a contração dos músculos laríngeos produz-se um encerramento parcial e repetitivo da glote, que produz variações na pressão do ar que passa por ela, dando lugar a essa vibração típica do ronrom.

Por outro lado, as contrações do diafragma durante a respiração fazem com que o som seja mais ou menos contínuo.

  • Porque é que ronronam os gatos?

Esta é, provavelmente, uma das perguntas com uma resposta mais difícil no que diz respeito ao comportamento dos felinos.

Observou-se que os gatos podem ronronar em praticamente qualquer situação, desde os momentos em que estão confortáveis e contentes até, inclusivamente, pouco antes de morrer.

Alguns autores equiparam o ronrom com o riso humano, no sentido de que tal como as pessoas podem rir quando estão felizes, mas também quando têm medo (riso nervoso) ou quando querem alguma coisa de alguém, os gatos tendem a ronronar mais em situações parecidas. Talvez esta visão seja muito antropomórfica, mas parece que se adapta bastante à realidade.

O facto de que os gatos ronronarem numa situação tão desagradável ou stressante como a morte iminente associou-se a um estado de euforia, provavelmente originado pela libertação de endorfinas (conhecidas como as “moléculas da felicidade”), mas comprovou-se que se trata de um processo que também experimentam os doentes terminais.

De acordo com alguns estudiosos, a função de ronronar seria “informar” a outro indivíduo que o animal que faz isto não significa nenhuma ameaça.

Por último, uma teoria formulada recentemente faz referência ao papel curativo do ronrom. Esta teoria baseia-se em que os gatos ronronam a uma frequência entre 25 e 150Hz e alguns autores estabeleceram que a utilização de sons com estas frequências – especialmente as mais baixas da categoria, com fins terapêuticos – relaciona-se com um aumento da densidade óssea, assim como com uma restauração dos tendões e a melhoria das feridas, entre outros.

O ronrom seria, portanto, como uma espécie de mecanismo curativo interno que permitiria ao animal manter a densidade dos ossos e a funcionalidade dos tendões e dos músculos, durante os longos períodos de descanso que têm estes fenomenais predadores. Até agora, é só uma teoria e ainda falta muito para poder demonstrar esta capacidade do ronrom.

PABLO HENRNÁNDEZ. ETÓLOGO VETERINÁRIO