Saber qual o gato indicado para mim

Para acertar no tipo de gato que deve ter, o primeiro aspeto a ter em conta é que se trata de um animal de natureza solitária e noctívaga que evoluiu entre o deserto e a savana. Isto significa que as características dos gatos são diferentes das dos cães e, obviamente, das nossas.

Para nós, é importante que aquando da tomada de decisão de ser pet owner de um gato não se centre apenas nos benefícios da sua companhia, mas também no conhecimento das necessidades do gato comparativamente às de outros animais.

Encontrar o gato ideal ou fazer uma escolha acertada pode revelar-se um autêntico desafio, e passa sempre por saber como cuidar dele. Passamos a enumerar os aspetos que deve ter em conta e que o irão ajudar a escolher o gato ideal: a idade, o comportamento, o género, a raça e o seu estilo de vida.

A idade do gato

Quando decidimos que o gato é o animal de estimação ideal para nós, o primeiro aspeto a ter em consideração é se queremos um gatinho, um adulto, ou então um exemplar sénior. Por razões óbvias, não deve optar por exemplares com menos de 8-10 semanas de vida, a não ser, claro está, que se trate de um gatinho órfão. Seguem-se algumas considerações-chave para decidir se lhe será mais conveniente um gatinho ou um gato adulto.

Gatinho.

  • As vantagens de escolher um gatinho jovem são vê-lo crescer, poder educá-lo à sua maneira e assistir às brincadeiras do gato, que podem ser muito divertidas de observar.
  • De acordo com estudos realizados, não são poucas as condutas do gato que se desenvolvem durante a gestação diretamente influenciadas pelo comportamento da mãe. Por isso, sempre que for possível é vivamente recomendado tentar conhecer as condições em que viveu a progenitora durante a gestação. Contudo, isto não é tão determinante como o período que decorre desde o nascimento até aos 6 meses de vida, o qual marca verdadeiramente o gatinho para o futuro.
  • É na primeira fase deste período da sua vida que ocorre a socialização (entre a segunda e a sétima semanas de vida), crucial para que o gatinho seja mais ou menos sociável, isto é, que aceite com naturalidade a presença de outros animais e dos seres humanos, assim como os restantes estímulos que lhe chegam do exterior.
  • Por isso, é muito importante certificar-se de que o gatinho não tenha sido separado da sua mãe e irmãos durante este período. Em contrapartida, se tiver adotado um gatinho bebé órfão e precisar de saber como cuidar dele, recomendamos-lhe a leitura do nosso artigo “Como criar um gatinho sem mãe”.
  • Também se devem ter em conta os cuidados veterinários do gatinho, uma vez que irá necessitar de vacinas, identificação, esterilização, desparasitação, etc.

Adulto.

  • Um gato adulto já tem o carácter mais definido do que um gatinho, o que condiciona os cuidados prestados. Como regra geral, tanto o gato adulto como o gato sénior chegam a casa mediante a adoção através de uma associação protetora de animais, e é recomendado ouvir os conselhos dos responsáveis sobre o carácter do gato escolhido.
  • Tal como no caso dos gatinhos, devem ter-se em consideração os cuidados veterinários do gato adulto, desde a esterilização (se ainda não tiver sido esterilizado) até à vacinação, passando pelas desparasitações e a identificação. Esta consulta veterinária é muito importante porque não é raro que um gato de idade avançada tenha algum tipo de necessidade específica, que deverá ser tida em consideração.
  • Tenha em conta que a adoção de um gato adulto oferece uma segunda oportunidade aos que foram abandonados pelos seus pet owners e as associações protetoras de animais têm muitos gatos para adoção à procura de um novo lar.

O comportamento do gato

Para compreender o gato como espécie é fundamental conhecer o seu comportamento, que não tem nada a ver com o do cão nem com as lendas medievais perpetuadas até aos dias de hoje ou com temas muito generalizados por falta de informação.

Traiçoeiro?

  • Já quase ninguém acredita que um gato preto é sinónimo de azar; porém, ainda é necessário desmistificar a crença de que se trata de um animal traiçoeiro e déspota; duas características do carácter humano, não do animal.
  • O gato tende a ser reservado com as pessoas que não conhece, mas ser pet owner de um gato abre portas a uma dimensão surpreendente sobre o quão carinhoso, amistoso, inteligente, sensível e brincalhão ele pode ser. Procura um gato fiel? Todos eles o são, desde que tratados com respeito.

Hábitos higiénicos do gato. 

  • A forma como se limpa e mantém asseado o seu meio envolvente também fazem dele um animal muito particular e o animal de estimação perfeito para a vida num apartamento, uma vez que não liberta odor corporal e aprende muito facilmente a utilizar a caixa de areia (coisa que já faz por volta dos 21 dias de idade).

Educação.

  • Todos os seres vivos são suscetíveis a ser influenciados pelo meio envolvente em que vivem ao longo de toda a sua vida, pelo que o carácter de um gato pode mudar em virtude do trato que receber, tanto para o bem como para o mal, independentemente da idade que tiver. O gato é fácil de adestrar quando se utiliza o método apropriado, que nunca pode ser baseado no castigo, mas sim na recompensa.

Cor do pelo. 

  • Por razões genéticas os gatos brancos, de raça pura ou comuns, têm um maior risco de sofrer de surdez do que os gatos de outra cor; por isso, se o seu gato preferido for branco, tenha em conta que pode ser surdo.
  • Além desta particularidade e da de que os gatos que combinam o vermelho e o preto, assim como os tricolores, são quase sempre fêmeas, a cor da pelagem não tem grande importância, embora haja estudos que encontram uma certa relação entre a cor do pelo e o comportamento do gato.

O género do gato

Os comportamentos do macho e da fêmea só diferem a partir do momento em que atingem a maturidade sexual, portanto escolher um gato de um determinado género só é relevante quando não se tem intenção de o esterilizar. Porém, se gostar de gatos com pelo preto e vermelho ou tricolor, saiba que quase de certeza é uma fêmea.

Como se comportam os machos.

  • Os machos têm maior tendência para vadiar pela vizinhança se tiverem acesso ao exterior, o que pode significar um risco para a sua integridade física, tanto pelos veículos como pela possibilidade de encontrar outros machos dispostos a defender o seu território de forma violenta.
  • Além disso, os machos podem e costumam marcar o território, a casa inclusive (o que provoca um odor muito intenso).

Como se comportam as fêmeas.

  • Embora não seja uma ciência exata, as fêmeas normalmente são menos sociáveis do que os machos porque conservam o impulso atávico de se manterem isoladas, principalmente quando têm ninhadas. Após milénios de domesticação, esta característica praticamente já não se constata nas fêmeas, mas o que sim conservam são os cios periódicos (consulte aqui mais informação sobre o “Cio da gata”), por vezes acompanhados de miados muito sonoros, a partir do momento em que atingem a maturidade sexual.

A esterilização.

  • É completamente errada a ideia de que um gato se tenha de reproduzir para se “realizar” ou para que a sua saúde não seja afetada. Não só não tem o gato um quadro de valores igual ao dos seres humanos, como está demonstrado que, a longo prazo, a sua saúde é prejudicada quando não é esterilizado cirurgicamente.
  • Atualmente, a esterilização cirúrgica de ambos os géneros é uma prática veterinária com benefícios altamente comprovados, entre os quais se destacam a inibição dos cios nas fêmeas e do impulso de marcação nos machos; por isso, o género do exemplar pode passar para segundo plano no momento da tomada de decisão.
  • Os benefícios da esterilização cirúrgica (conheça os “Alimentos para gatos esterilizados”) não têm impacto apenas a nível do comportamento do gato, mas também ao nível da sua saúde, dado que aumenta a sua esperança de vida ao diminuir o risco de sofrer determinadas doenças. A única coisa que se deve ter bastante em conta após a esterilização cirúrgica é que as necessidades nutricionais mudam e, portanto, deve oferecer-se um alimento adaptado a esses novos requisitos.
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A raça do gato

Um dos aspetos que condicionam sempre a escolha do gato é se pretende um gato de raça pura ou cruzado. Embora o gato comum europeu continue a ser o que tem maior presença como animal de estimação, existe um número considerável de raças felinas que podem dificultar a escolha.

Desenvolvidas mais tardiamente do que as caninas, as raças de gatos contam atualmente com muitos aficionados, que encontrarão nas mesmas exemplares com características físicas específicas (a cor do pelo e dos olhos ou a constituição corporal ou o formato das orelhas), assim como, em certa medida, o seu comportamento, daí a importância de se aconselhar antes de escolher um gato de raça.

Escolha da raça do gato

Características físicas. A mais chamativa é a pelagem, de modo que pode encontrar gatos de pelo comprido, gatos de pelo curto, gatos com o pelo curto e liso, gatos com o pelo curto e ondulado, etc.

  • A raça com o pelo mais comprido é o gato persa, mas ao mais pequeno descuido o pelo emaranha-se. Isto é algo importante a ter em conta, porque se não tiver tempo para o escovar diariamente é melhor escolher outra raça. Gosta do formato achatado da cara do gato persa? Nesse caso, opte por um gato exótico, que tem a mesma compleição, mas o pelo curto.
  • Algumas raças de gatos só têm um tipo de cor, ou um padrão concreto, por exemplo os padrões tipo tigresa. É o caso da raça bengal, que apresenta uma variedade que lembra muito o padrão leopardo.
  • Outras raças destacam-se por não ter pelo, como o sphynx, mas nos invernos muito frios necessitam de estar em locais que se mantenham sempre com uma temperatura elevada. Em contrapartida, é um gato que não larga pelo, o que faz dele um gato hipoalergénico se o pet owner for alérgico ao pelo do gato. Atenção, porque se o pet owner for alérgico à saliva, também será sensível a esta raça.

Temperamento. O carácter de cada raça pode variar consideravelmente, por isso é importante saber qual o comportamento típico da sua raça preferida.

  • Procura um gato ativo? Nesse caso, opte por um siamês ou um oriental porque comparados com o persa ou com o ragdoll são duas raças enérgicas. Além disso, se procura um gato que não mie, também deve ter em conta que o siamês e o oriental são duas raças muito “tagarelas”.
  • Ainda assim, recordamos-lhe que o miado é intrínseco ao gato, pelo que todos os gatos miam, uns mais outros menos.

Estado de saúde. Todos os gatos podem adoecer ao longo da vida, mas se quiser ter a certeza de que escolhe um gato que esteja saudável naquele momento, deve estar atento aos sinais de doença. Naturalmente, é perfeitamente legítimo da sua parte não se preocupar com isso, mas tendo plena consciência que assume maiores responsabilidades. Os sinais de doença mais importantes são:

  • Se tiver diarreia ou mucosidade no nariz e nos olhos, descamações na pele e um pelo baço e sem brilho. Também o peso ideal do gato (principalmente que não seja muito magro, no caso de se tratar de um gatinho muito jovem) é sinal de boa saúde.
  • Se coxear ou manifestar dificuldades no movimento. Se for um gatinho, pode ser um sinal do seu carácter futuro ter um comportamento brincalhão ou calmo; neste último caso, não se deve confundir com apatia.

Necessidades especiais. Além de exigirem cuidados específicos devido ao tipo de pelo ou a outras caraterísticas físicas, algumas raças podem ter necessidades nutricionais específicas. Portanto, nunca é demais saber se a raça de gato ideal para si tem um alimento adaptado às suas necessidades específicas.

O nosso estilo de vida

Se uma das suas preocupações éfor “qual o gato ideal para o meu estilo de vida”, saiba que estamos totalmente de acordo consigo. É totalmente diferente ser alguém que está sempre de malas aviadas e pronto para correr mundo a qualquer momento ou ter uma vida mais sedentária e passar a maior parte do tempo livre em casa.

Dado que os gatos podem estar sozinhos em casa, inclusive durante longos períodos de tempo, desde que alguém se encarregue de verificar que não lhes falta água nem comida, qualquer pessoa que se sinta atraída por esta espécie pode ser um bom pet owner de um gato.

No entanto, o gato agradece bastante a presença do seu pet owner, sendo o animal de estimação ideal para pessoas muito caseiras ou que por algum motivo se vejam obrigadas a permanecer quase constantemente em casa.

A compatibilidade entre o ser humano e o gato também depende do tipo de casa que tenhamos e, portanto, se o gato tem acesso ou não ao exterior.

  • Gato de interior. É assim denominado o gato que não tem acesso ao exterior na sua vida quotidiana, nem sequer a uma varanda. Isso torna o “território” limitado e requer um enriquecimento para reduzir a falta de exercício. Não há um gato mais indicado para interiores propriamente dito, mas os gatos mais calmos irão adaptar-se muito melhor do que os gatos nervosos.
  • Gato de exterior. Quem tem a sorte de ter uma casa com jardim deve ter em conta que o gato mantém intacto o impulso de explorar o meio que o rodeia, algo que muitas vezes o levará a exceder os limites da propriedade. Ora, isto pode provocar conflitos com os vizinhos e colocar em risco a sua integridade física, nomeadamente as disputas com outros gatos. Tenha isto em conta no momento da tomada de decisão, porque isto faz com que não exista um gato ideal para exteriores.