Saber qual o cão indicado para mim

As descobertas pré-históricas indicam que a compatibilidade entre o homem e o cão data a tempos remotos. Uma espécie que serviu para quase tudo: guardar os bens, conduzir o gado, ajudar na caça e até dar apoio em tempos de guerra.

A todas essas funções aliou-se a de cão como animal de estimação, e é essa a que pretendemos destacar: se deseja encontrar o cão perfeito para si, deverá antes saber como cuidar dele no seu sentido mais amplo.

Ora, para fazer uma escolha correta deve ter em conta não só o comportamento do cão, a raça, a idade e o género, como também algo que lhe poderá passar despercebido mas que é um aspeto fundamental: o seu próprio estilo de vida. Para conseguir encontrar o cão perfeito para si, abordamos todas essas questões nesta secção. Esperamos que lhe seja útil e que o ajude a escolher o cão!

O comportamento do cão

Para decidir ser pet owner de um cão não é suficiente ter presente os benefícios da sua companhia, também deve ter conhecimento sobre quais as verdadeiras necessidades de um cão em termos de comportamento, uma vez que não têm nada a ver com as nossas. Dizer de um cão que é fiel, carinhoso, inteligente, sensível e esperto é certamente ficar aquém, mas isso não significa que ele deva ser tratado como uma pessoa. Embora se pareça connosco, e só lhe falte falar, o seu modo de ser é bastante diferente do nosso.

Espécie sociável.

  • O cão é um animal que evoluiu em grupo, por isso faz parte da sua natureza criar vínculos e estabelecer hierarquias. É esse impulso que faz com que se adapte às mil maravilhas à convivência com o ser humano, ao qual se junta como se fosse mais um membro do clã, e que o leva a não tolerar muito bem o estar sozinho durante muito tempo; aliás, isto pode causar problemas graves de comportamento, como a ansiedade do cão por separação.

Necessidade de exercício e higiene.

  • Apesar de ser de tamanho pequeno, o cão necessita de fazer exercício e de se relacionar com o meio que o rodeia. Caso contrário, o seu equilíbrio temperamental ficará ressentido. Obviamente, as necessidades de exercício de um cão variam de acordo com o seu tamanho, mas a sua constituição também tem influência: um cão gigante não pode correr como um cão médio ou grande porque as suas articulações oferecem resistência ao exercício muito intenso.
  • Também deve ter em conta as necessidades de higiene de um cão uma vez que necessitará de banho, que lhe limpem os olhos, os ouvidos, os dentes e que lhe cortem as unhas.

O olfato é o seu principal sentido.

  • Ao contrário de nós, seres humanos, o sentido mais desenvolvido no cão é o olfato, e este influencia o modo como os cães se relacionam com outros animais. Por isso é que cheiram tudo e todos.
  • É também este sentido que determina o seu comportamento com a comida, não preferem a nossa comida por gostarem mais do que da sua, mas sim porque adoram o cheiro. Se ainda acredita que alimentar o seu cão com a sua comida é a melhor forma de o nutrir, saiba que essa é a pior decisão que pode tomar para a saúde dele. O cão deve consumir um alimento especificamente formulado para si, nunca a nossa comida.

Necessidades de adestramento.

  • O mesmo impulso que leva o cão a fazer parte de um grupo também o leva a tolerar um papel secundário perante um líder e, por isso, é fácil de treinar. É óbvio que a inteligência tem um papel preponderante, embora por si só não seja suficiente para conseguir que um cão obedeça a ordens básicas, também faz falta que o cão tenha uma certa predisposição. Por este motivo, os indivíduos independentes são, por norma, mais difíceis de treinar, dado que não estão suficientemente atentos.

A raça do cão

Um dos aspetos que condiciona sempre a escolha do cão como animal de estimação é se pretende um cão de raça pura ou cruzado. Todos os cães mestiços podem exercer na perfeição o seu papel de “melhor amigo do homem”. Se, além disso, se tratar de um dos inúmeros cães para adoção que vive nas associações de proteção dos animais, melhor ainda. No entanto, não podemos ignorar o facto de que existe um grande número de raças de cães com características próprias e que devem ser tidas em consideração no processo de escolha. Esperamos poder ajudá-lo a escolher um cão de raça.

Que raça de cão escolher

Para saber qual raça de cão mais indicada para si deve ter em conta:

As características físicas.

  • Tamanho. Pode encontrar desde raças de cães grandes, cujo peso ronda os 45 quilos (ou até mais), a raças de cães diminutas, com um peso inferior a 4 quilos. A classificação da Royal Canin relativamente ao tamanho dos cães é muito importante porque têm necessidades nutricionais muito distintas.
  • Tipo de pelo. Algumas raças de cães só têm um tipo de pelagem, por exemplo, o manchado característico do dalmata, mas se não tiver muito tempo para levá-lo a passear diariamente, antes de escolher esta raça deve saber que precisa de muito exercício físico. Outras raças destacam-se por ter o pelo muito comprido e sedoso, como o galgo afgão, que requer cuidados extremamente trabalhosos. Em contrapartida, outras distinguem-se por serem raças de cães que não largam pelo, ou porque têm pouquíssimo, como o cão de crista chinês, ou porque não têm pelo nenhum, como o cão pelado peruano (é assim que se chama). Existe ainda outro grupo de cães que não larga pelo, os lanosos, como o poodle e o cão de água espanhol, que se caracterizam por não terem mudas periódicas. Pelo facto de um cão não largar pelo, poderá considerar-se como cão hipoalergénico, mas antes de escolher um cão deste tipo deve fazer os devidos testes médicos, pois algumas pessoas não são alérgicas ao pelo do cão em si, mas sim à saliva ou aos ácaros, o que acabaria por dar no mesmo. Outro aspeto a ter em conta é se é uma raça que requer um corte especial de pelo, como por exemplo o west highland white terrier, em cujo caso também deve ter em conta o valor das tosquias do cão.
  • Constituição particular. São várias as particularidades anatómicas do cão que se poderiam abordar, mas só iremos referir duas: os cães com patas muito curtas porque podem ter alguma dificuldade em subir e descer escadas (atenção, se viver num edifício alto sem elevador e gostar do basset hound) e os de raças extremamente achatadas, como o Bulldog, dado que podem sofrer de síndrome braquicefálica (causa problemas respiratórios).

O temperamento.

  • O carácter de cada uma das raças caninas pode variar consideravelmente. Desta forma, o temperamento de uma determinada raça de cão que tenha sido selecionada ao longo de gerações para caçar mostra diferenças substanciais face a outra que tenha sido selecionada para a pastorícia ou para proteção.
  • Por isso, deve conhecer o comportamento da sua raça preferida. Procura um cão ativo para fazer desporto consigo? Então, não pode escolher uma raça como o pug. Procura um cão para praticar agility? Nesse caso, uma que está a ter muito sucesso nesta modalidade é o border collie. Note-se que esta é uma análise genérica e que, portanto, deve ter consciência de que pode haver diferenças entre indivíduos da mesma raça.
  • O mesmo acontece com a tendência do cão para ladrar, que é absolutamente natural.
  • Como tal, não existe nenhum cão que não ladre. É possível que um yorkshire terrier seja proporcionalmente mais ladrador do que um beagle e que, por sua vez, este ladre mais do que um golden retriever. Porém, não se pode assumir isto como norma porque o adestramento tem um papel muito importante no controlo de um cão que ladra muito, independentemente da sua raça.

As necessidades nutricionais.

  • Para além de necessitarem de cuidados específicos devido à sua constituição ou ao tipo de pelo, algumas raças de cães podem ter necessidades nutricionais específicas. Portanto, nunca é demais saber se a raça de cão ideal para si tem um alimento adaptado às suas necessidades nutricionais.
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A idade do cão

No momento em que decidir que o cão é o animal de estimação ideal para si, um dos aspetos que deve considerar é se pretende um cachorro, um cão adulto ou mesmo um sénior. Pela importância que tem para o seu desenvolvimento, não deve escolher um cachorro com menos de 8-10 semanas de vida, a não ser, claro está, que se trate de um cachorro órfão. Seguem-se algumas considerações-chave que lhe permitem identificar o que lhe será mais conveniente: se um cachorro, se um cão adulto.

Cachorro.

  • As vantagens de escolher um cachorro são a possibilidade de o ver crescer, de o educar à sua maneira e de desfrutar das suas brincadeiras, muito desajeitadas no início, mas que depois com o passar do tempo se tornam dignas de verdadeiros atletas.
  • Segundo estudos realizados, uma boa parte da conduta do cachorro é desenvolvida durante a gestação, sendo diretamente influenciada pelo trato recebido pela mãe. Por isso, é bom saber em que condições viveu a progenitora durante esta fase. Contudo, isto não é determinante porque o período de socialização é o que mais marca o futuro do cachorro.
  • Certifique-se, portanto, de que o cachorro não foi separado da mãe e irmãos durante este período.
  • Outro aspeto a ter em conta, devido aos custos adicionais, são os cuidados veterinários do cachorro, que irá necessitar de desparasitações, vacinas, identificação, esterilização, etc.

Adulto.

  • Um cão adulto tem o carácter mais vincado do que um cachorro, o que se pode converter num autêntico desafio para um pet owner inexperiente. Como, regra geral, tanto o cão adulto como o sénior normalmente chegam a casa através da adoção junto de uma associação protetora de animais, permita que os responsáveis pela mesma o aconselhem.
  • À semelhança do que acontece com os cachorros, com os cães adultos também deve ter em consideração os cuidados veterinários, desde vacinas e esterilização (se ainda não estiver esterilizado) à identificação e desparasitações. Esta consulta veterinária é extremamente importante porque não é raro que um cão de idade avançada apresente alguma necessidade especial, algo que se deve ter em conta no momento da decisão.
  • Lembre-se que a adoção de um cão adulto proporciona uma segunda oportunidade aos que foram abandonados pelos seus pet owners e as associações protetoras de animais têm muitos cães para adoção à procura de um novo lar.

Estado de saúde. Quer se trate de um cachorro ou de um cão adulto, quando escolher um cão deve estar atento a vários aspetos:

  • Comprovar que não apresenta sinais de diarreia ou mucosidade no nariz nem nos olhos, que esteja no peso correto (principalmente que não esteja muito magro se for um cachorro muito jovem, nem que tenha o ventre extremamente inchado), que o pelo esteja brilhante e sedoso e que a pele não apresente descamações nem parasitas.
  • Comprovar que não coxeie nem tenha dificuldades em movimentar-se. Pode ser algo passageiro, mas também pode ser sinal de alguma condição articular, como displasia da anca ou do cotovelo.
  • Verificar como se comporta. Um cão tímido ou medroso pode, com um bom adestramento, converter-se num cão muito sociável, mas se não pretender dedicar tempo ao seu treino, então o melhor será optar por um cão que já se mostre alegre e brincalhão. No caso de ser um cachorro, o comportamento evidenciado pode ser indicativo do seu carácter futuro. Ainda assim, é sempre de estranhar quando um cão (cachorro ou adulto) estiver apático, sem prestar atenção ao que acontece à sua volta. Isto pode ser sinal de que a sua saúde não está nas condições ideais. Se ainda assim optar por esse cão, tenha em conta que pode necessitar de cuidados veterinários adicionais (clínicas veterinárias para cães).

O género do cão

Regra geral, os machos são maiores e mais dominantes do que as fêmeas, que por sua vez têm cios periódicos, ao contrário dos machos. No entanto, apesar de os machos não terem cio propriamente dito, o impulso para acasalar é constante quando estão em contacto com fêmeas no cio. Ora, nessas circunstâncias também pode aumentar o seu sentido de independência e de dominância face a outros machos. Por todas estas razões, quando escolher um cão deve ter em conta o género do exemplar; sobretudo se não tiver a intenção de o esterilizar.

Como se comportam os machos.

  • Geralmente, os machos têm um impulso mais dominante, principalmente na presença de outros machos, e podem ter tendência para fugir se detetam a presença de uma fêmea no cio. Isto pode dificultar o controlo do cão, sobretudo se não for muito obediente, podendo este até perder-se.
  • Os machos também se caracterizam por marcarem o território, por isso é que a cada passo “levantam a pata”, e quando são da mesma raça também se distinguem por serem maiores do que as fêmeas.

Como se comportam as fêmeas.

  • Como no caso dos machos, algumas fêmeas podem ser muito dominantes relativamente a outras, mas geralmente são mais submissas do que os machos.
  • Se optar por uma fêmea, não ignore o facto de que esta terá cios periódicos (a média é um de seis em seis meses) uma vez atingida a maturidade sexual. E durante esse período a fêmea aceitará acasalar com qualquer macho, por isso tenha cuidado porque basta um simples descuido para se ver a braços com uma ninhada e, portanto, ter de encontrar uma família para os cachorros.

A esterilização.

  • Deve desmistificar a ideia de que um cão necessita de se reproduzir para ter uma “vida plena”. Este é um argumento única e exclusivamente do ser humano que pode interferir negativamente na saúde do animal.
  • Alternativamente, existe a possibilidade de esterilizar o cão, tanto o macho como a fêmea, uma prática veterinária com benefícios claramente comprovados: inibe o impulso de acasalamento no macho, elimina os cios nas fêmeas e, no geral, reduz o comportamento dominante. Também aumenta a sua esperança de vida, dado que diminui o risco de sofrer determinadas doenças. O único aspeto que tem de ter em consideração é que após a esterilização cirúrgica as necessidades nutricionais mudam e o cão deve consumir um alimento adaptado a essas novas necessidades.

O nosso estilo de vida

Se, neste processo de tomada de decisão, a sua principal preocupação for querer saber “qual o cão ideal tendo em conta o meu estilo de vida”, não podíamos estar mais de acordo consigo. Não é o mesmo ser um pet owner que está sempre de malas feitas ou um que, apesar de se ausentar pouco, mal tem tempo para levar o cão a passear. Aliás, para o ajudar a decidir também deve ter em consideração o tamanho da sua casa e o clima do local onde vive.

Tiempo livre.

  • Os cães podem estar sozinhos em casa durante algumas horas, quase todos se habituam a estarem sozinhos pelo menos durante o tempo que estamos a trabalhar. Mas todos, sem exceção, têm uma necessidade natural de praticar exercício que varia em função das suas características. Informe-se sobre o tempo que o seu cão preferido irá necessitar diariamente para saber se terá tempo suficiente para ele.
  • Isto também se aplica às férias. Portanto, antes de decidir partilhar a sua vida com um cão, já deve ter pensado sobre se o vai levar consigo, se o deixará ao cuidado de outra pessoa ou num hotel canino.
  • A propósito, se pensa levar o seu novo cão consigo para todo lado, não se esqueça de que deve ter sempre à mão informação sobre os espaços que permitem a entrada de animais, como hotéis, restaurantes, salões de cabeleireiro e lojas de roupa.

Tamanho e tipo de habitação.

  • Ter um cão em casa é sinónimo de companhia, no entanto, antes de tomar a decisão de partilhar o seu espaço com um deve analisar se lhe será mais conveniente um cão pequeno ou um grande. Os cães mais indicados para apartamentos pequenos são precisamente os de raças de pequeno porte ou os que, apesar de serem grandes, têm um comportamento tranquilo. Algumas raças, como o São Bernardo, pelas suas características são cães apropriados para climas frios e espaços exteriores. Em contrapartida, se estiver à procura de um cão para o interior ou zonas quentes, o galgo italiano poderá eventualmente ser o cão que procura, devido à tolerância ao calor. No entanto, deve ter consciência de que também precisa de passear.

Tipo de família.

  • ¿Vive sozinho? Tem filhos? De acordo com a sua resposta a cada uma destas perguntas, a decisão será completamente diferente.
  • Como é praticamente impossível analisar todas as eventuais particularidades familiares, na nossa opinião, consideramos que a questão mais importante a ter em conta é que a decisão de ter um cão como animal de estimação deve ser uma decisão unânime da família. Se houver um único membro da família a não concordar com a decisão, o conflito será difícil de evitar.