As doenças de origem vírica

Las enfermedades víricas

O gato pode ser afetado por diversas doenças causadas por vírus, que são geralmente graves.

Felizmente, a maior parte tem vacinas eficazes, sendo por isso essencial que o gato seja vacinado. Deve-se sempre fazê-lo, mesmo que o gato não saia de casa, porque ao longo da sua vida ele poderá sofrer alguma mudança que o coloque em risco.

– Panleucopenia

É uma doença causada por um parvovírus, que está, de certa forma, ligado ao do cão e é capaz de sobreviver durante meses, ou até mesmo anos. Esta doença, que afeta mais os gatinhos e os gatos jovens causa febre, diarreia, vómitos e uma diminuição significativa dos glóbulos brancos, também chamados de leucócitos. Portanto, é essencial visitar o veterinário e seguir as suas indicações.

A vacina da panleucopenia felina é geralmente administrada a partir das 8, 9 semanas de idade e os seus efeitos duram geralmente um ano. Por isso, a revacinação deve ser anual.

– Rinotraqueíte

O vírus que causa esta doença pertence ao grupo dos herpesvirus, e produz entre 45 a 50 por cento das doenças respiratórias nos gatos. Ela afeta principalmente os exemplares imaturos, que não estejam vacinados, e os seus sintomas são febre, espirros, comichão, conjuntivite, olhos lacrimejantes e até mesmo úlceras da córnea.

A rinotraqueíte tem também uma vacina, que é administrada até às 8, 9 semanas de idade e os efeitos duram cerca de doze meses, sendo assim necessária a revacinação anual.

– Calicivirose

Neste caso, o causador é um picornavírus, que produz sintomas muito semelhantes à constipação no ser humano, ou seja, febre, espirros, aumento da salivação e, em alguns casos, úlceras na boca e bolhas na língua. Por esta razão, a doença é também chamada de gripe felina.

Ela incide sobretudo em ambientes com grande concentração de espécimes, ou seja, em criadouros, colónias selvagens e instalações de recolha de animais, mas o gato doméstico pode também sofrer desta doença, mesmo que esteja vacinado. Ainda assim, quando o gato está vacinado, os sintomas são menos graves.

Como não existe qualquer tratamento específico contra a calicivirose, o melhor é prevenir, seguindo os conselhos do veterinário.

– Raiva

Esta é uma das doenças víricas mais conhecidas e cujo controlo está bem implementado em todos os países ocidentais. Ela é transmitida através da saliva, geralmente através da mordedura de um animal infetado.

Embora um gato doméstico corra muito pouco risco de contrair a raiva, tendo em conta a importância que o seu controlo tem para a saúde pública (afeta também o ser humano) é recomendável que ele seja vacinado uma vez por ano, embora a norma possa variar segundo o local onde vivemos.

– Peritonite infeciosa

O coronavírus é responsável por esta doença, que afeta os espécimes mais frágeis e os mais idosos. É igualmente frequente em criadouros, abrigos e colónias de gatos.

Ela afeta as membranas da cavidade torácica e abdominal e, consequentemente, a pleura, produzindo pleurisia, e o peritoneu, produzindo peritonite. Os sintomas incluem febres altas e anorexia, com o abdómen distendido, ou seja, com um tamanho superior ao habitual.

Nesta doença, a vacinação é fundamental, uma vez que não existe tratamento.

– Imunodeficiência

É produzida por um retrovírus da família dos lentivirus, muito semelhante ao vírus da imunodeficiência humana, embora este não afete os seres humanos, nem os animais de outras espécies, e sobreviva apenas alguns minutos fora do gato.

Como provoca imunodepressão, o gato afetado apresenta uma diminuição do número de leucócitos. Uma das coisas mais impressionantes acerca deste vírus é que ele multiplica-se até às 8, 12 semanas após a infeção e passa imediatamente para a fase assintomática.

Por isso, muitos gatos têm resultado positivo nos testes desta doença, apesar de serem gatos aparentemente saudáveis. Contudo eles podem transmitir a doença.

Quase todos os gatos afetados desenvolvem sintomas da doença entre os 4 e os 6 anos.

Na Europa não é comercializada qualquer vacina contra a imunodeficiência felina e a eficácia da vacina comercializada noutras regiões não está comprovada. Quanto ao tratamento, geralmente consiste em cuidar dos sintomas que vão aparecendo, sempre relacionados com doenças oportunistas, que se desenvolvem porque o sistema imunitário está debilitado.

Ainda assim, um gato com resultado positivo nos testes desta doença pode ter uma vida longa e com uma boa qualidade de vida.

– Leucemia

Esta doença é causada por um retrovírus do género gammarretrovirus e não afeta apenas o gato doméstico, mas também o selvagem e o lince, entre outros.

Se, aliado às vacinas disponíveis, acrescentarmos que é um vírus com muito pouca capacidade de sobrevivência no meio ambiente, e que é afetado por qualquer desinfetante, então concluímos que é uma doença fácil de controlar. Não existe qualquer tratamento contra o vírus, sendo possível apenas tratar os sintomas das doenças que vão surgindo.

Este vírus é transmitido através da saliva, das secreções nasais, das fezes e do leite. Por isso, é mais fácil que seja transmitido em ambientes com pouca higiene, aos gatos jovens e em locais com alta concentração de espécimes.

Para que seja mais fácil de controlá-la, também é recomendada a desparasitação contra as pulgas a fim de minimizar a possibilidade de ele ser afetado por um parasita que provoca anemia e que se chama Mycoplasma haemofelis. Também é desaconselhada a ingestão de carne crua, que poderá ser um foco de transmissão de Toxoplasma gondii que, nos gatos imunodeprimidos, provoca uveíte, convulsões e ataxia.