Assim, não deve nunca adoptar um animal por impulso, simplesmente para satisfazer um desejo primário ou inconsciente, mas sim pelo facto de reunir as condições mínimas essenciais ao Bem-Estar do animal e a vontade unânime de acolher um ser vivo proporcionando-lhe um estilo de vida próprio e ajustado aos seus instintos mais primitivos.
Por outro lado, a adopção de um animal por vaidade (ou porque uma determinada raça está mais na moda) está errada.
Antes de adoptar um animal, pense se:
- Possui instalações adequadas à permanência de um animal;
- Possui estabilidade financeira para providenciar ao animal cuidados médicos e alimentação;
- Possui tempo para prestar os cuidados mínimos de afecto e exercício físico ao animal;
- Possui a noção exacta que um animal irá crescer e que, passado algum tempo, assumirá um estado de adulto, alterando assim o seu comportamento.
Uma atitude consciente
Deverá ser desencorajada a posse de animais de companhia por aqueles que não possuem as instalações, tempo, meios financeiros ou nível de interesse necessários para assegurar um padrão de cuidados satisfatórios e um compromisso a longo prazo para com o animal.
As características de algumas casas são inadequadas para a manutenção de determinados animais e certas circunstâncias pessoais podem fazer com que seja difícil, se não impossível, a obtenção de condições apropriadas. Uma posse responsável deve incluir a provisão de cuidados básicos essenciais à sobrevivência do animal, identificação permanente e a aplicação de um programa de vacinas.
Deve ponderar… Adoptar um animal ou adoptar um problema???
- Aquele animal é muito engraçado, os seus olhos são irresistíveis. É uma pessoa sensível. Mas certas circunstâncias pessoais não lhe permitem assegurar um padrão de cuidados básicos à sobrevivência do animal. Prefere arriscar sabendo que esse animal será sempre carenciado ou prefere que seja adoptado por uma pessoa que possua o perfil ideal de um dono responsável.
- Um cão muito pequeno desperta-lhe a atenção. Todo preto de olhos verdes. Não resiste em levá-lo consigo. Sabe no entanto que vai de férias no mês que vem. Prefere adoptar o animal sabendo que provavelmente não poderá levá-lo consigo ou adiar a decisão de o adoptar depois das férias?
- O animal perfeito… lindo, amoroso, pequeno, ideal para dentro de casa. Passado alguns meses ele ficou enorme, e então chega à conclusão que não o pode ter em casa. O que vai fazer agora?
Deve decidir
A lição mais importante, e resumindo tudo aquilo que foi dito até agora, reside na assimilação de uma mensagem objectiva e concisa: "Adopte o animal que faz falta à sua vida ou não adopte animal nenhum".
Se a sua decisão foi...
... não adoptar um animal
Pelo menos uma certeza tem, tomou a decisão certa para o seu caso, reflectiu sobre a sua capacidade de providenciar os cuidados básicos essenciais à vida de um animal e reconheceu o que um animal necessita na realidade para que o seu bem-estar esteja permanentemente assegurado, ou seja, tudo aquilo que actualmente não lhe poderá dar. Foi simplesmente realista e, por conseguinte, uma pessoa responsável. Talvez mais tarde as circunstâncias sejam alteradas e aí a decisão poderá ser outra.
... adoptar um animal
Deverá agora lançar-se na descoberta de um novo amigo e companheiro, que lhe exige algumas coisas mas que em troca lhe oferece um amor incondicional... sem preço.
Adoptou um gatinho?
PARABÉNS, acabou de adquirir um lindo gatinho e estamos muito felizes por si. Acabou de tomar uma decisão importante que vai condicionar a sua vida durante muitos anos.
O seu gato irá partilhar o seu dia a dia e fazer parte do seu lar durante 15 a 20 anos para grande alegria de toda a família, crianças e adultos.
O acolhimento
Separado da mãe, dos irmãos e irmãs, o seu gatinho sentir-se-á muito só quando chegar a sua casa. De modo a minimizar ao máximo o impacto causado pela mudança de ambiente, é indispensável preparar cuidadosamente a sua entrada no seio da nova família.
Planeie a chegada para o fim-de-semana
O fim-de-semana é um período geralmente de maior calma e disponibilidade dos membros da família. Rodeado de atenções e amor, o animal compreenderá rapidamente que agora você é o seu dono e o seu amigo.
Adquira uma caixa de transporte
É perigoso transportar um gatinho em liberdade dentro de um automóvel, tanto para o animal, como para os passageiros.
É indispensável possuir uma caixa própria para transportar o seu felino com toda a segurança. Para torná-la mais confortável coloque uma coberta no fundo. Tenha em atenção que o stress da deslocação pode dar origem a náuseas e distúrbios intestinais. Como tal, procure levar consigo um rolo de papel absorvente e uma coberta suplementar. Opte pela aquisição de uma caixa bastante grande, para a poder utilizar igualmente quando o seu animal for adulto. Uma transportadora mais escura será um factor de maior tranquilidade, pois o animal sentir-se-á mais protegido.
A chegada a casa
A descoberta do seu novo ambiente, de novos membros da família e eventuais congéneres (cães ou gatos já existentes na família) constitui uma etapa muito importante que irá condicionar o sucesso da integração do gatinho no seu novo lar. Esta fase deve decorrer de forma progressiva e com muita calma. Deverá adoptar alguns hábitos e pequenas modificações que permitirão proteger o seu gatinho das “armadilhas” existentes em sua casa.
Para que o recém-chegado se sinta em total segurança desde o primeiro momento, é aconselhável que disponha já do conjunto de acessórios, os quais são indispensáveis ao conforto do animal (e ao seu também), aos jogos e à sua alimentação. A localização destes acessórios deve ser cuidadosamente estudada.
Evite a excitação
Não se esqueça que o animal acabou de ser transportado para um ambiente totalmente desconhecido. Controle o seu entusiasmo, aja com toda a calma e sem gritos. Evite as passagens do animal de mão em mão.
Se o gatinho for criado num ambiente de ruído excessivo ou agitação (atenção às crianças) poderá mostrar-se medroso e desconfiado em adulto.
As atitudes correctas
Aprenda a manipular o seu gatinho com precaução. Qualquer gesto brusco ou mais violento poderá assustar o animal.
Para o transportar, a melhor forma é colocar a mão bem aberta sob o seu abdómen e a outra sob os quartos posteriores, no caso das raças maiores.
Para lhe demonstrar a sua autoridade, pode agarrá-lo pela pele do pescoço, tal como o fazia a gata para o transportar, uma vez que esta atitude não lhe causa qualquer prejuízo.
Atitudes incorrectas
- Puxá-lo pela cauda.
- Agarrá-lo pela cabeça.
- Passar ambas as mãos sob as patas dianteiras do animal.
Outros animais em casa
É importante apresentá-los rapidamente para possibilitar ao gatinho a sua correcta integração. É inútil tentar habituá-lo a roedores ou aves, cuja coabitação é praticamente impossível! Com outros animais a apresentação deverá ser feita sob vigilância e de forma progressiva. Uma má integração que desenvolva um sentimento de frustração e/ou ciúmes poderá levar à fuga temporária do antigo residente.
O cão – Paradoxalmente, um cão bem socializado aceitará o gatinho com facilidade. Alguns cães adultos poderão ser menos tolerantes, mas uma ligeira arranhadela do pequeno felino rapidamente fará regredir esta agressividade e a integração processar-se-á, geralmente, de forma rápida e sem problemas.
Outro gato – A tarefa poderá ser muito mais difícil! Um gato adulto tolera com alguma dificuldade a chegada de um gatinho ao seu território. Manifestará o seu desagrado através de comportamentos ameaçadores, pois não aceita que os seus hábitos sejam perturbados. A aceitação total poderá demorar alguns meses.
Durante a apresentação, não permita qualquer agressividade. Faça-o em território neutro durante um jogo ou uma refeição. Repita a operação até que ambos os gatos suportem a presença do outro e comecem a partilhar. Estabelecer-se-á uma relação hierárquica entre os dois felinos, a qual deverá ser absolutamente respeitada.
Atitudes correctas
- Mantenha os privilégios do animal residente (cão ou gato) durante os primeiros dias.
- Tranquilize-o no seu próprio território.
- Isole o gatinho, para que este explore a casa de forma progressiva e evite esconder-se sob os móveis.
- Limpe as secreções faciais do gatinho com um pano e esfregue-o nos rodapés das outras zonas da casa para que o antigo residente se vá habituando ao odor do recém-chegado.
Os acessórios
É importante que à chegada do gatinho à sua nova casa, este encontre todos os objectos que lhe são necessários.
Todos estes acessórios podem ser adquiridos em lojas de animais de companhia:
- Cesto: uma cama confortável, onde se sinta seguro (mas será ele próprio a escolher o seu local de repouso).
- Areão: um recipiente, de profundidade suficiente, coberto de areia e uma pá para remover as fezes. O ideal será uma caixa coberta para evitar derramamentos e limitar os odores desagradáveis.
- Dois comedouros: um de menores dimensões para os alimentos secos (um gato adulto consome apenas 60 a 70 g por dia) e outro maior para a água, que deverá estar sempre à disposição do animal.
- Tronco para gatos: para o animal desgastar as suas garras e evitar estragos na sua mobília.
- Árvore para gatos: os gatinhos adoram trepar para uma posição alta (dominante) e contorcer-se entre dois patamares. Ajudar-lhe-á a diminuir as correrias e rodopios nos seus móveis, permitindo-lhe satisfazer a sua necessidade de exercício.
- Coleira e trela: a coleira continua a ser a forma melhor e mais rápida para identificar o seu gatinho: em eventuais passeios ou pequenas deslocações sem transportadora, a trela constitui um auxiliar indispensável.
- Uma portinhola para gatos: se autorizar uma certa liberdade ao seu animal, trata-se da medida ideal para não ter de abrir e fechar constantemente a porta para as suas entradas e saídas. A coleira electrónica do seu gatinho facultar-lhe-á - e apenas a ele - a entrada. Contudo, no caso de um gato de raça, é preferível mantê-lo dentro de casa.
- Os brinquedos: adquiridos ou fabricados por si.
Cada objecto deverá ter um lugar certo na sua casa. Deverá mostrá-los ao seu novo amigo, começando pelo areão para que possa de imediato fazer as suas necessidades; em seguida, a cama que será o seu refúgio de paz e segurança e, por último, os brinquedos e acessórios.
As primeiras refeições
Deverá evitar qualquer alteração brusca na alimentação para não provocar perturbações digestivas. Continue a administrar o alimento oferecido anteriormente durante alguns dias.
Informe-se junto do dono da ninhada ou do criador acerca do modo de alimentação (número de refeições/dia, fraccionadas ou à descrição) e da natureza da mesma.
Se pretender alterar o alimento, deve respeitar uma transição alimentar com uma semana de duração.
Esta transição permite minimizar os riscos de fezes moles ou diarreias, muito prejudiciais ao correcto desenvolvimento do gatinho.
| Tabela de transição alimentar
1º e 2º dia: 75% do alimento anterior e 25% do novo. |
Ao oferecer sobras durante as refeições familiares, estará a habituar o animal a solicitar e a roubar alimentos da mesa. Esta atitude pode provocar um desequilíbrio alimentar que favorece a obesidade.
Tenha sempre o cuidado de verificar se o seu gatinho tem água fresca à disposição e, sobretudo, deixe-o comer tranquilamente.
A primeira noite
Primeira separação, primeira solidão! A primeira noite é frequentemente muito difícil para o animal.
Onde dormir?
O verdadeiro lugar do seu gatinho não é no seu quarto, mas este nunca recusará a oportunidade de dormir consigo. Lembre-se que não deve recusar a um gato adulto aquilo que lhe permitiu na fase infantil! Para além disso, quando o animal crescer, sairá de casa e estará em contacto com parasitas externos. A higiene do felino deverá ser monitorizada para não incomodar os membros da sua família.
O verdadeiro lugar do gatinho é no seu cesto, na zona da casa que lhe tiver sido destinada.
Sobretudo durante a primeira noite não ceda à tentação de ir buscá-lo, mesmo se ele miar desesperadamente. Mantenha-se impassível. A aprendizagem dura geralmente apenas 3 ou 4 dias.




