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Particularidades nutricionais

Diferenças fisiológicas e alimentares fazem com que os gatos apresentem necessidades nutricionais que diferem do cão e de outros mamíferos.

Apesar de desde há muito tempo se conhecerem as necessidades nutricionais básicas do gato, nos últimos anos a nutrição felina sofreu uma evolução considerável no campo dos nutrientes não essenciais, ou seja, nutrientes que não são verdadeiramente essenciais em condições de manutenção normais, mas que podem fazer a diferença em estados fisiológicos específicos: durante a fase de aleitamento, em períodos de maior stress, num gato idoso, etc.

Não existe um único alimento adequado a todos os felinos. Cada gato deve ter um alimento adaptado às suas características específicas (idade, modo de vida, estado fisiológico, etc.). Os gatos não são cães pequenos!

Água: o nutriente indispensável à vida

O gato consegue sobreviver durante muito mais tempo sem qualquer alimento do que sem beber, ao contrário do que a sua reputação de “fraco bebedor” poderia fazer crer. Esta reputação remonta às suas origens como animal do deserto. Ainda hoje, o gato consegue economizar água através de uma concentração elevada da urina. A densidade urinária média do gato é 1.045 comparativamente a 1.015 no cão e no Homem. Contudo, uma concentração urinária excessivamente elevada aumenta o risco de precipitação de cristais e de formação de cálculos urinários. Por consequência, deve incentivar-se o gato a beber água.
Um gato que viva em condições climáticas temperadas requer aproximadamente 40 a 60ml/kg/dia de água. No entanto, estas necessidades podem aumentar por razões de ordem fisiológica ou patológica (lactação, temperatura elevada, diarreias, vómitos, etc.). Por outro lado, o ritmo de consumo de água é idêntico à ingestão alimentar. O gato bebe com a mesma frequência com que come, ou seja, em média 10 a 20 vezes por dia se o alimento for administrado ad libitum, ainda que apenas ingira 5 a 10ml de água de cada vez.

Sabia que... quanto mais o gato beber, maior é a diluição da sua urina e, consequentemente, menor será o risco de formação de cálculos urinários. Alguns alimentos secos contêm um ligeiro aumento do teor de sal (cloreto de sódio ou NaCl) para estimular o consumo espontâneo de água. Contrariamente ao que se pensa, esta medida não tem qualquer influência sobre a pressão arterial, nem sobre a função renal saudável do gato.

   

Matérias gordas: utilizar com moderação

Quanto mais elevado for o teor de matérias gordas de um produto, maior será a sua concentração energética e densidade volúmica, o que significa que o gato consome uma quantidade significativa de calorias em alimentos com um volume reduzido.
Aumentar o teor de matérias gordas foi durante muito tempo o método mais simples para incrementar o grau de apetência de um produto. Contudo, está provado que o gato tem maior dificuldade em controlar o consumo alimentar se os croquetes forem muito ricos em gordura. Actualmente, o desenvolvimento de aromas agradáveis para o gato, evita o recurso à incorporação de níveis elevados de matérias gordas para a obtenção de produtos apetentes.

Importante! Um gato a quem seja administrado um alimento com um teor elevado de gorduras à discrição acumula maior quantidade de reservas adiposas do que se esse teor for reduzido para metade. A selecção de níveis de gordura e de densidade energética especificamente adaptados ao animal e ao seu modo de vida constitui um factor chave para preservar o peso ideal. Com efeito, o risco de obesidade é 40% superior num gato de interior que durma cerca de 18 horas por dia.

Mesmo nos casos em que seja necessário reduzir o teor de matérias gordas do alimento, deve manter-se sempre um nível mínimo destas (entre 9 a 10% num alimento seco) para permitir a absorção das vitaminas lipossolúveis: as vitaminas A, D, E e K.

   

Ácidos gordos

Ómega 6

A qualidade das matérias gordas incorporadas na alimentação influencia a produção de sebo - cera natural segregada pelas glândulas sebáceas - responsável pelo brilho da pelagem.

Por outro lado, os ácidos gordos insaturados de origem vegetal da família Ómega 6, como o ácido linoleico e o ácido gama-linolénico (GLA) desempenham um papel fundamental na manutenção da elasticidade da pele e da qualidade da pelagem.

 

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Ómega 3

A eficácia dos óleos vegetais aumenta através da associação a óleos de peixe. Com efeito, os óleos de peixe contêm ácidos gordos ómega 3 de cadeia longa (EPA e DHA) que possuem uma acção anti-inflamatória.

Os ácidos gordos ómega 3 são amplamente preconizados em Dermatologia Humana e em Medicina Veterinária. Na espécie felina, recomenda-se a sua utilização como tratamento complementar da dermatite miliar.

 

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Ácido araquidónico

Tal como no caso das proteínas, é indispensável a presença de matérias gordas de origem animal pois estas são as únicas que fornecem ácido araquidónico que, ao contrário do cão, o gato é incapaz de sintetizar. Assim, o ácido araquidónico constitui um ácido gordo essencial para o gato e a sua carência acarreta distúrbios reprodutivos.

Conservação das gorduras

O risco de oxidação das gorduras aumenta em função do teor de ácidos gordos insaturados do alimento. Por isso, é indispensável adicionar antioxidantes às matérias-primas para preservar a apetência do alimento e proteger a saúde do gato. As substâncias utilizadas na alimentação de felinos são as mesma da alimentação humana, seleccionadas pela sua segurança e eficácia. A prevenção absoluta contra a oxidação supõe o acondicionamento dos alimentos em atmosfera controlada, processo que substitui o oxigénio por um gás neutro ou inerte (ex.: azoto). Para a boa conservação do produto, após a abertura da embalagem esta deve ser mantida num local com uma temperatura fresca e constante, ao abrigo da luz e da humidade.

Ácidos gordos essenciais no gato

Os ácidos gordos são os principais constituintes dos lípidos ou matérias gordas. Caracterizam-se pelo número de átomos de carbono que os constituem (com a designação de ácido gordos de cadeia curta, média ou longa). Podem ser saturados (sem ligações químicas duplas entre dois átomos de carbono) ou insaturados (comportando 1 a 6 ligações duplas).

No organismo de um animal, o fígado e outros tecidos podem sintetizar muitos dos ácidos gordos necessários ao metabolismo das células. Contudo, existem dois ácidos gordos que não podem ser sintetizados pelo gato: o ácido linoleico (essencial no cão e no gato) e o ácido araquidónico (essencial apenas no gato). Enquanto que a maioria dos animais consegue converter o ácido linoleico em ácido araquidónico, os gatos não possuem a enzima necessária para a realização desta conversão ou, melhor, esta enzima existe mas a sua actividade não é suficiente. É por esta razão que os gatos têm que ter necessariamente uma fonte de carne na dieta, pois o ácido araquidónico só está presente nos tecidos animais. Uma carência em ácido araquidónico dá origem a más performances reprodutivas e a uma agregação plaquetária insuficiente.

   

Glúcidos

Imediatamente a seguir às proteínas e matérias gordas, os glúcidos digeríveis constituem a terceira fonte de energia de um alimento. Os glúcidos são sobretudo representados pelo amido existente nos cereais (trigo, milho, arroz, etc.) e pelos tubérculos (batatas, mandioca, etc.). Em termos energéticos, um grama de amido fornece as mesmas calorias que um grama de proteínas, ou seja, aproximadamente 3,3 a 4kcal de energia metabolizável por grama.
Embora seja carnívoro por natureza, no decurso da domesticação, o gato adaptou-se progressivamente a um regime alimentar contendo cereais, sendo capaz de digerir o amido desde que este seja bem cozido. No entanto, a capacidade do gato adulto digerir o amido dos cereais continua a ser muito inferior à do cão, pelo que se torna prudente não ultrapassar um teor de 35% de amido num alimento seco, ou mesmo um limite máximo de 25% no caso de gatos sensíveis, gatinhos e, em particular, no caso dos Persas.

Importante! O teor de glúcidos digeríveis que compõem o alimento não faz parte das referências obrigatórias da embalagem. Esse valor pode ser apurado calculando a percentagem residual (que se denomina de extracto não azotado ou ENA, maioritariamente constituído por amido), uma vez subtraídas as diferentes percentagens indicadas:

ENA = 100 – (humidade + proteínas + matérias gordas + minerais + celulose bruta)
O ENA é composto essencialmente por amido, açúcares e fibras não celulósicas, as chamadas fibras solúveis.

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Se o amido estiver mal cozido ou for incorporado em excesso no alimento, a sua digestão será incompleta tornando-se num substrato fermentescível para a flora do cólon, nomeadamente lactobacilos e estreptococos. Entre os produtos resultantes da deterioração do amido pela flora encontra-se o ácido láctico, fracamente reabsorvido pela mucosa intestinal e cujas elevadas propriedades osmóticas originam o aumento do afluxo de água ao intestino grosso, provocando o amolecimento das fezes ou mesmo diarreia.

De todos os cereais utilizados em alimentação felina, o arroz é o que revela o melhor grau de tolerância, proporcionando a melhor digestibilidade e uma diminuição do volume fecal em relação à matéria seca ingerida. Em contrapartida, se o gato evidenciar um risco particular para obesidade ou diabetes, deve optar-se por uma fonte de amido menos assimilável, como a cevada ou o milho.

Entre os glúcidos digeríveis figuram também os açúcares simples, como a lactose, o açúcar do leite. Como o gatinho perde entre 75 a 90% da sua capacidade de digerir a lactose após o desmame, não é aconselhável continuar a administrar-lhe leite na idade adulta. O limiar de tolerância dos gatinhos desmamados pode variar consideravelmente, consoante os casos: em média, representa 1 a 2g de lactose por kg de peso corporal, ou seja, cerca de 20ml de leite/kg/dia.

   

Fibras alimentares: essenciais para um trânsito intestinal saudável

As fibras alimentares também são glúcidos, porém não são digeridas pelo gato. No entanto, possuem duas funções importantes em termos nutricionais:

  • Estimulam o trânsito intestinal; a celulose contida no tegumento dos cereais (farelo) ajuda a combater a obstipação em gatos sedentários e a “diluir” ligeiramente a energia do alimento em caso de risco de excesso de peso;
  • Algumas fibras são degradadas pelas bactérias existentes no intestino grosso, produzindo energia que é benéfica para a renovação das células da mucosa intestinal do colón (colonócitos). As fibras fermentescíveis estimulam também o desenvolvimento de uma flora intestinal benéfica. A polpa de beterraba e os fruto-oligossacarídeos (FOS) constituem boas fontes deste tipo de fibras.

A obtenção de uma boa higiene digestiva, bem como de fezes bem formadas depende da contribuição equilibrada destas duas grandes categorias de fibras.
O nível de fibras deve ser modulado consoante o modo de vida do gato e o comprimento da pelagem: quanto mais sedentário for o gato ou mais comprida for a sua pelagem, maior será a tendência para despender muito tempo em cuidados de higiene, o que aumenta o risco de formação de bolas de pêlo a nível intestinal. A eliminação natural dos pêlos pode ser favorecida pela estimulação do esvaziamento gástrico e do trânsito intestinal, com o objectivo de evitar a aglomeração dos pêlos no tubo digestivo. Para esse efeito, o alimento deve ser enriquecido em fibras.

O rótulo da embalagem apenas refere parcialmente o teor real de fibras contidas no alimento. Por razões de ordem legal, só é mencionada a taxa de celulose bruta, que representa uma fracção das fibras alimentares totais. A quantidade total de fibras pode ser indicada em documentos anexos ou deve ser solicitada ao fabricante.

   

Minerais (ou cinzas brutas)

Quando se queima um alimento, as cinzas recuperadas constituem o seu substrato mineral, que em geral representa entre 6 a 8% do total de um alimento seco. Os minerais presentes em quantidade significativa denominam-se macroelementos. Em contrapartida, os oligoelementos estão representados em proporções muito pequenas, representando apenas alguns mg/kg (ou ppm, i.e. partes por milhão), embora sejam essenciais ao funcionamento do organismo. Cerca de 30% dos oligoelementos ingeridos são assimilados: para aumentar a absorção de determinados oligoelementos, estes podem ser incorporados sob a forma quelada, isto é, protegidos contra eventuais interacções com os outros nutrientes existentes no tubo digestivo.

Um alimento completo não requer qualquer suplemento mineral. Com efeito, o excesso de sais minerais é prejudicial à boa digestibilidade e pode até produzir efeitos opostos aos inicialmente pretendidos.

Macroelementos

  • Cálcio e fósforo: são os principais constituintes do esqueleto. Como tal, deve existir um equilíbrio entre ambos, situando-se o rácio Ca/P entre 1 e 2. Num animal com insuficiência renal, o nível de fósforo deve ser restringido e o rácio Ca/P deve ser próximo de 2 devido ao aumento da dificuldade de excreção renal do fósforo.
  • Potássio: desempenha um papel muito importante no âmbito do funcionamento cardíaco. Uma acidificação excessiva da urina pode conduzir à perda urinária deste elemento e, consequentemente, à carência em potássio.
  • Sódio e cloro: indispensáveis para a regulação das transferências hídricas entre as células. Em caso de diarreia grave, é aconselhável utilizar rehidratantes em pó misturados na água, para compensar as perdas de electrólitos.
  • Magnésio: participa na condução nervosa e nas contracções musculares. Até há alguns anos atrás, preconizava-se a redução de magnésio para impedir a formação de cálculos de estruvite (ou fosfato amónio-magnesiano), no entanto, actualmente sabe-se que promover a ligeira diminuição do pH urinário (para valores entre 6 e 6,5) constitui uma medida preventiva bastante mais eficaz.

Oligoelementos

  • Ferro: entra na composição dos pigmentos que transportam o oxigénio: a hemoglobina sanguínea e a mioglobina dos músculos.
  • Cobre: participa na síntese das melaninas que conferem para a coloração da pelagem; o aporte de cobre quelado garante o teor suficiente para suprir as necessidades associadas à pigmentação.
  • Zinco: essencial para a renovação e cicatrização da pele. Actua em sinergia com o ácido linoleico para reforçar o brilho do pêlo. A eficácia alimentar deste oligoelemento depende do contexto global do produto, ou seja, o excesso de fibras ou um teor reduzido de minerais (nomeadamente Ca) impede a sua correcta absorção intestinal e induz uma pelagem baça acompanhada por lesões cutâneas.
  • Manganês: actua como catalisador em diversas reacções enzimáticas.
  • Selénio: protege a integridade das membranas celulares, designadamente ao nível dos músculos e eritrócitos.
  • Iodo: activa a síntese das hormonas da tiróide.
   

Vitaminas: o excesso é tão prejudicial como a carência

Tal como os minerais, as vitaminas dividem-se em duas famílias: vitaminas lipossolúveis – que se dissolvem na gordura (A, D, E, e K) e vitaminas hidrossolúveis - que se dissolvem na água (B e C). Embora o gato seja particularmente tolerante ao aporte de vitaminas lipossolúveis, quando consumidas em excesso, estas vitaminas acumulam-se no organismo e podem tornar-se tóxicas.

Vitamina A

Indispensável para a reprodução, visão, pêlo e pelagem, esta vitamina ajuda também a combater a seborreia. Contrariamente ao cão, o gato não consegue converter o beta-caroteno de origem vegetal em vitamina A, facto que corrobora o cariz carnívoro desta espécie. O fígado ou o óleo de fígado de bacalhau são muito ricos em vitamina A, no entanto o seu fornecimento deve ser limitado pois o excesso desta vitamina pode provocar uma anquilose vertebral, fenómeno que prejudica a saúde e invalida muito o gato.

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A principal função da vitamina A envolve a visão. Esta vitamina é encontrada na retina em combinação com uma proteína denominada opsina. Sob a acção da luz solar, este composto (conhecido por rodopsina) é dividido em opsina e num metabolito do retinol.

A energia libertada neste processo produz transmissões nervosas que são enviadas através do nervo óptico para o cérebro, o que resulta na captação das sensações visuais. Para que o processo continue, é necessário que exista vitamina A em quantidades suficientes na retina.

A vitamina A está envolvida em muitos outros processos fisiológicos: reprodução (síntese de determinadas hormonas), renovação celular, síntese de hormonas, e crescimento dos ossos e dos dentes.

Vitamina D

Facilita a absorção do cálcio e a mineralização óssea. Ao contrário do ser humano, o gato é incapaz de produzir a quantidade suficiente de vitamina D através dos raios UV. Porém, é inútil adicionar esta vitamina a um alimento para gatinhos cuja formulação a contenha em teores adequados, uma vez que o excesso de vitamina D pode originar distúrbios a nível da ossificação.

Vitamina E

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Desempenha o papel de antioxidante biológico para os fosfolípidos das membranas, protegendo as células contra a acção oxidante dos radicais livres. As reservas de vitamina E do organismo diminuem face ao aumento dos processos oxidativos, como é o caso de algumas doenças ou do envelhecimento.

Inúmeros estudos demonstraram a influência positiva dos suplementos alimentares de vitamina E como forma de combater os efeitos dos radicais livres, estimular as defesas imunitárias e limitar as lesões celulares decorrentes de perturbações inflamatórias.

Vitamina K

Essencial para a coagulação do sangue. Quando ocorre hemorragia interna devido à ingestão de anticoagulantes (pesticidas), é necessário injectarem-se doses elevadas de vitamina K.

Vitaminas do complexo B

Constituem uma família muito extensa. Uma vez que o organismo as armazena em quantidades reduzidas (com excepção da vitamina B12), é necessário uma contribuição vitamínica diária. As leveduras de cerveja são fontes naturais de vitaminas B, (mas não de vitamina B12, existente apenas em produtos de origem animal) em particular das vitaminas B1, B2, B6 e PP, bem como de ácido fólico, ácido pantoténico e colina. Todas estas vitaminas contribuem, em diferentes níveis, para favorecer a função de barreira cutânea da pele e preservar a sua hidratação.

Vitamina C

Para conservar a sua eficácia, a vitamina E requer a presença da vitamina C que favorece a sua regeneração. Em geral, o gato consegue sintetizar a vitamina C no fígado, mas uma alimentação enriquecida em vitamina C é potencialmente benéfica para combater o envelhecimento celular.

   

Aminoácidos

Para além dos nove aminoácidos necessários na alimentação de todos os mamíferos, os gatos necesitam de mais dois em particular: a arginina e a taurina.

Arginina

Uma carência neste aminoácido provoca rapidamente vários efeitos no organismo devido à incapacidade para metabolizar os compostos nitrogenados (através do ciclo da ureia), que começam a acumular-se na circulação sanguínea. Nos casos mais graves, esta carência pode inclusivamente levar à morte do animal. De facto, para além da água, não há referência de outro componente essencial da dieta cuja carência provoque um efeito tão nefasto no organismo do animal. Contudo, não há razão para alarme! As fontes proteicas usualmente utilizadas na formulação de alimentos comerciais apresentam quantidades suficientes deste aminoácido.

Taurina

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A taurina foi descoberta em 1826 na bílis dos bovinos (Bos taurus), razão que explica o seu nome. É um aminoácido que contém enxofre na sua composição e está presente na maioria dos tecidos animais, concentrando-se essencialmente nos músculos.

A taurina está envolvida em múltipas funções ao nível do organismo: visão, performance reprodutiva, contracção cardíaca e formação dos ácidos biliares. Protege as células do organismo graças à sua acção contra os radicais livres, pelo que constitui um antioxidante de eleição no combate ao envelhecimento.

Os gatos são incapazes de sintetizar este aminoácido em quantidades suficientes para cobrir as suas necessidades fisiológicas. Por essa razão, na sua alimentação deve constar uma fonte de taurina pré-formada.

A contribuição em taurina é assegurada pelo consumo de carne ou de um alimento completo que contenha este aminoácido na sua forma purificada.

   

Gato de interior e gato de exterior

Gato de interior

Um gato sem acesso ao exterior tem uma actividade física reduzida. Como vive num ambiente protegido, a manutenção da sua temperatura corporal não requer um gasto calórico elevado. Em média, o gasto energético de um gato de interior é de 50 kcal/kg/dia, ou seja, 35% inferior ao de um gato de exterior.

Escolher um alimento com uma densidade energética moderada constitui um factor chave para a prevenção da obesidade. Com efeito, trata-se de um elemento particularmente importante no caso dos gatos com tendência a utilizar a comida como distracção (o tempo que seria dedicado, por exemplo, à caça e ingestão de presas é empregue exclusivamente no consumo alimentar).

No entanto, é mais difícil limitar o volume consumido se o alimento administrado ao animal for demasiado rico face às suas necessidades, situação em que é indispensável estabelecer uma dosagem diária rigorosa.

Gato com acesso ao exterior

As necessidades energéticas do gato aumentam em função do tempo despendido no exterior, do espaço territorial de que dispõe e da amplitude das variações climatéricas ao longo do ano. Assim, os felinos com acesso a quintais ou pequenos jardins no exterior consomem espontaneamente um volume alimentar cerca de 10% superior ao de outros gatos que vivam exclusivamente no interior.

É difícil alimentar um gato que passe a maior parte do tempo no exterior com um alimento de baixa densidade energética. Quando se verifica um aumento excessivo do volume ingerido para suprir as necessidades energéticas, a eficácia digestiva do animal degrada-se com o consequente risco de má qualidade fecal e até diarreia. Portanto, se o gato despender muito tempo no exterior, a alimentação deve caracterizar-se por uma concentração elevada em energia e matérias gordas.