As bases da nutrição do gato
O que é um nutriente?
É um composto químico utilizável como tal na alimentação das células. Na maioria dos casos, o nutriente chega ao tubo digestivo sob a forma de moléculas complexas, separadas depois pela acção digestiva e assimiladas como moléculas mais simples.
Água
É a base de toda a vida animal ou vegetal. Um gato pode passar várias semanas sem se alimentar, mas não suportaria passar mais de dois dias sem água. É preciso ter em conta que dois terços do seu organismo são constituídos por água. As necessidades em água do gato são variáveis, dependendo do consumo de uma alimentação seca ou húmida.
Proteínas
São constituídas por cadeias de aminoácidos. Alguns destes aminoácidos não podem ser sintetizados pelo organismo: são os chamados aminoácidos indispensáveis.

Devem estar presentes na alimentação, uma vez que a sua ausência pode levar ao aparecimento de perturbações graves. Indiscutivelmente o teor proteico do alimento é importante, mas a sua qualidade possui um papel determinante: referimo-nos ao seu valor biológico. De entre os aminoácidos «essenciais» para o gato referimos a arginina, cuja carência se traduz rapidamente na incapacidade de transformar o amoníaco em ureia, provocando o aparecimento de uma hiperamoniemia gravíssima.
Outro aminoácido, a taurina, também é indispensável na alimentação do gato, pois a sua falta pode provocar uma atrofia retiniana, conducente à cegueira. Sabe-se hoje que uma carência em taurina pode dar origem a afecções cardíacas, tal como a cardiomiopatias dilatadas, e a distúrbios da reprodução.
Lípidos ou matérias gordas
O seu papel consiste no fornecimento de energia, mas também no incremento da apetência do alimento.
Os lípidos são constituídos por ácidos gordos e glicerol, em cadeias mais ou menos longas e mais ou menos saturadas, que condicionam o teor energético do alimento. Os ácidos gordos possuem uma função não específica (fornecimento de energia) e uma função específica (função estrutural, uma vez que entram na composição das membranas celulares e um papel funcional, uma vez que são precursores de determinados mediadores).
O papel específico é desempenhado pelos ácidos gordos denominados «indispensáveis» que o gato é incapaz de sintetizar e que tem de obter a partir da alimentação. Ao contrário do cão, o gato necessita de um aporte alimentar não apenas de ácido linoleico, mas também de ácido araquidónico (presente apenas nos tecidos animais) uma vez que esta espécie não possui determinadas enzimas que integram o metabolismo destes ácidos gordos.
Glúcidos
Mais conhecidos por «açúcares», são essencialmente fornecidos pelos vegetais.
Os glúcidos incluem o amido e os açúcares solúveis como a lactose. A digestibilidade do amido é melhorada pela cozedura, mas o gato não digere esta substância tão bem como o cão. A lactose, açúcar saudável, é muito bem digerida pelas crias durante a lactação, dado que estas apresentam enzimas específicas para a sua digestão. Em contrapartida, a lactose é geralmente mal tolerada pelo gato adulto, ao qual se desaconselha a administração de leite.
Fibras
Os glúcidos não energéticos são as fibras alimentares. O seu aporte deve ser rigorosamente controlado, uma vez que quando administradas em excesso podem limitar a absorção de determinados nutrientes. Pelo contrário, a sua ausência favorece a paralisação do bolo alimentar no intestino grosso, podendo provocar flatulência. Nalgumas situações específicas, o tero de fibras pode ser aumentado. Por exemplo no caso de um gato obeso, que se pretende fazer emagrecer, este aumento permite um efeito de diluição da energia no alimento e uma redução da assimilação de outros nutrientes.
Existem 2 tipos de fibras:
- Fibras não fermentescíveis, como as existentes nas fibras de milho, alho francês, farelo de trigo e polpa de beterraba que não são fermentadas pelas bactérias do intestino grosso. São sobretudo importantes em termos do trânsito intestinal.
- Fibras fermentescíveis, que representam 25% das fibras da polpa de beterraba ou 100% da pectina, podem ser fermentadas pela flora intestinal garantindo, assim, o seu equilíbrio. Contribuem para a saúde do cólon.
As quantidades e proporções destes 2 tipos de fibras devem ser ajustadas com precisão no alimento. Os alimentos muito pobres em fibras estão frequentemente associados a fezes mal formadas ou seja, diarreicas. Quantidades de fibras muito elevadas provocam a produção excessiva de matérias fecais.
Minerais
Embora existam em pequenas quantidades no organismo, os minerais possuem diversas funções fisiológicas.
Interagem entre si, o que significa que a sua assimilação é interdependente. Portanto, é conveniente procurar o seu equilibrio ideal no alimento. De entre os minerais distinguimos os macroelementos e os oligoelementos. Os macrolementos recebem esta designação porque a sua contribuição necessária é medida em gramas. É o caso do cálcio, fósforo, sódio, cloro, potássio e magnésio. O aporte de oligolementos é calculado em miligramas.
Macroelementos
| Minerais | Funções no organismo | Fontes | Carências | Excesso |
| Cálcio (Ca) | Constituição do esqueleto. Transmissão do impulso nervoso. |
Farinha de osso. Produtos lácteos. |
Anorexia. Queda dos dentes. Raquitismo (jovem). | Super-mineralização. Interrupção do crescimento. Carência secundária de oligoelementos. |
| Cálcio (Ca) | Constituição do esqueleto, das membranas celulares e do metabolismo energético. | Farinha de osso, fosfatos, carnes e peixe. | Anorexia. Infertilidade. Osteomalácia (adulto). Raquitismo (jovem). | Distúrbios renais, osteofibrose. Interrupção do crescimento. |
| Sódio (Na) e Cloro (Cl) | Equilíbrio hidro-electrolítico | Sal de cozinha, charcutaria, queijos. | Poliúria. Perda de peso. Atrasos de crescimento. Pele seca. | Cálculos urinários de oxalato. Sede intensa. Diarreia, convulsões, hipertensão. |
| Potássio (K) | Hipertensão. Regulação do equilíbrio hídrico. Metabolismo energético. | Sal de potássio, legumes, carnes | Anorexia. Debilidade muscular. Hipertensão arterial. Perturbações cardíacas. | Distúrbios renais e cardíacos. |
| Magnésio (Mg) | Constituição do esqueleto. Sistema nervoso. Metabolismo energético. | Farinha de osso. Magnésio e sais de magnésio. | Perturbações nervosas. Atrasos de crescimento. Convulsões. Irritabilidade. | Risco acrescido de cálculos urinários de estruvite. Diarreia. |
Oligoelementos
| Minerais | Funções | Carências | Excesso |
| Ferro (Fe) | Transporte do oxigénio (hemoglobina, mioglobina). | Anemia. Debilidade generalizada. Sensibilidade às infecções. | Perturbações digestivas (vómitos, diarreias). |
| Cobre (Cu) | Síntese da hemoglobina, da melanina e do colagénio. | Anemia, perturbações ósseas. | Hemólise, icterícia, necrose hepática. |
| Zinco (Zn) | Renovação da epiderme, síntese proteica. Reprodução. | Perturbações ósseas. Maior sensibilidade às infecções. Infertilidade. |
Atrasos de crescimento. |
| Iodo (I) |
Produção das hormonas da tiróide | Atrasos de crescimento. Perturbações cutâneas. Infertilidade. Bócio. Queda do pêlo. | Bócio. Perda de apetite. |
| Manganésio (Mn) | Catalizador das diversas vias metabólicas. | Perturbações do desenvolvimento ósseo e reprodutivo. | Escurecimento da pelagem. |
| Selénio (Se) | Em sinergia com a vitamina E. Antioxidante celular, assegura a integridade da membrana. | Cardiomiopatias. | Perda de apetite. Atrasos de crescimento, hepatite, nefrite. |
Vitaminas
São também nutrientes essenciais à vida. Distinguem-se as vitaminas liposolúveis (A, D, E, K) e as vitaminas hidrosolúveis (vitaminas C e do complexo B). Ao contrário do cão, o gato é incapaz de converter o betacaroteno dos vegetais em vitamina A. Quanto à Vitamina D, ao contrário do Homem, o gato não a sintetiza sob o efeito dos raios ultravioletas. Portanto, é necessário garantir um fornecimento alimentar de origem animal, tanto em vitamina A como D, o que ilustra, mais uma vez, a natureza estritamente carnívora do gato. O fígado é especialmente rico neste tipo de vitaminas. Por outro lado, a vitamina C não é indispensávek ao gato.
| Vitaminas | Funções | Fontes |
| Vitamina A | (Retinol) visão, crescimento, resistência às doenças. | Óleo de fígado de peixe, fígado, ovos. |
| Vitamina D | (Calciferol) equilíbrio do metabolismo fosfo-cálcico, melhoria da absorção do cálcio. | Sol (UV), óleo de fígado de peixe, ovos. |
| Vitamina E | (Tocoferol) anti-oxidante, prevenção da patologia muscular (esforço). | Leite, microorganismos dos cereais, ovos. |
| Vitamina K | Produção dos factores de coagulação. | Peixe, fígado, cereais em grão. |
| Vitamina B1 | (Tiamina) metabolismo energético (glúcidos), boas funções nervosas. | Cereais, farelo, leveduras. |
| Vitamina B2 | (Riboflavina) metabolismo dos aminoácidos e das gorduras. | Cereais, leite, leveduras. |
| Vitamina B6 | (Pirodoxina) metabolismo das proteínas, das gorduras, dos glúcidos e do ferro. | Cereais, leite, peixe, leveduras. |
| Vitamina PP | (Ácido nicotínico) integridade dos tecidos (pele). | Cereais, leveduras, peixe, ovos. |
| Vitamina B9 | (Ácido fólico) metabolismo das proteínas, síntese da hemoglobina. | Leveduras, fígado. |
| Vitamina B12 | (Cianocobalamina) metabolismo das proteínas, síntese da hemoglobina. | Ferro, peixe, produtos lácteos. |
| Vitamina B5 | (Ácido pantoténico) integridade dos tecidos (pele). | Fígados, peixe, produtos lácteos, arroz. |
| Vitamina H | (Biotina) integridade da pele, metabolismo dos glúcidos, lípidos, prótidos. | Leveduras, ingredientes naturais. |
| Colina | Metabolismo das gorduras, protecção do fígado. | Ingredientes naturais. |




