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Obesidade

O que é? Como se manifesta em cachorros? e em cães adultos?

O que é a obesidade?

A obesidade corresponde a uma acumulação periférica excessiva de gordura corporal. Para os nutricionistas, a obesidade resulta de um desequilíbrio entre a contribuição alimentar de energia e o consumo energético do animal.

As calorias contidas no alimento que não são necessárias à actividade diária do animal, são armazenadas sob a forma de gordura. Se o peso corporal do animal estiver menos de 15% acima do seu peso ideal, o animal tem excesso de peso. Se o seu peso estiver 15% ou mais acima do peso ideal, o animal é obeso.A causa mais comum de excesso de peso nos animais de companhia é uma ingestão alimentar excessiva acompanhada de falta de exercício físico.

A obesidade canina é detectável através do peso e da silhueta:

  • Peso ideal: costelas palpáveis mas não visíveis;
  • Excesso de peso: costelas dificilmente palpáveis;
  • Obeso: costelas não palpáveis.
   

Obesidade nos cachorros

Após o desmame, o dono deve evitar reagir às solicitações do cachorro através de alimentos - sobretudo à mesa - e nunca os utilizar como oferta para o conquistar ou estimular o seu apetite. O proprietário só deve alimentar o cão em duas situações: no horário de administração das refeições ou como recompensa durante o processo de aprendizagem. No segundo caso, o recurso a um “clicker” permite reduzir a utilização de alimentos.

Estabelecer rituais constantes para as refeições

Desde a aquisição do cachorro assim como ao longo de toda a vida do animal, o proprietário deve respeitar um ritual alimentar constante:

  • Estabelecer um horário fixo para as refeições, bem como a respectiva dosagem (de acordo com as recomendações do fabricante);
  • o comedouro deve ser colocado à disposição do animal durante um período de tempo preestabelecido;
  • o cão deve estar sozinho enquanto come, ou seja, o proprietário não deve observá-lo nem incomodá-lo enquanto se alimenta;
  • se o cão não terminar a refeição no tempo estipulado, deverá ser chamado a outra zona da casa antes de se retirar o comedouro.
  • o dono deve resistir à tentação de incentivar o animal a comer (excepto em caso de doença).
   

Obesidade no cão adulto

Ao nível do cão adulto, o dono pode cometer erros na utilização do alimento no intuito de estabelecer uma comunicação com o animal. Também nesta situação, um aconselhamento adaptado a cada caso é fundamental para garantir um equilíbrio entre o volume da alimentação administrada e as necessidades reais do animal.

Controlar o valor energético total das refeições

A dose diária deve ser adaptada às necessidades energéticas do cão, que aumentam em função do crescimento, do exercício físico, de condições climáticas adversas e da reprodução (gestação e lactação na cadela). Por outro lado, estes requisitos diminuem com a esterilização, o sedentarismo e o envelhecimento:

  • Nunca administrar biscoitos açucarados nem sobras de refeições;
  • O alimento utilizado como recompensa deve ser impreterivelmente deduzido da dose diária prescrita. Através deste método, é possível utilizar até 50% da dosagem diária para reforçar o processo de aprendizagem.

Assegurar a prática de exercício físico

A vida urbana limita as possibilidades do animal realizar exercício (dono ocupado pelo trabalho ou pela televisão, número reduzido de espaços verdes, cães passeados com trela). No entanto, os passeios ou jogos estimulantes são imprescindíveis para preservar o peso ideal do cão. É muito importante que o dono compreenda a necessidade de consagrar um mínimo de tempo a essas actividades.

Evitar a utilização inadequada dos alimentos

O dono nunca deve utilizar o alimento como uma oferta nem ceder à tentação de o administrar para eliminar comportamentos indesejáveis. Procurar acalmar um cão que ladra, fechando-o numa divisão com um dispensador de alimentos favorece a obesidade. Se a alimentação for percepcionada como uma recompensa irá reforçar o comportamento em causa. É preferível dar um comando simples ao animal (ex.: senta, deita) e recompensar a sua obediência.

   

Alimento dietético

Um alimento dietético para cães obesos deve caracterizar-se por um baixo teor energético, isto é, pobre em matérias gordas. De forma geral, este tipo de alimentos é enriquecido com fibras para aumentar o volume da dosagem e reduzir a sua digestibilidade.
No entanto, verifica-se uma tendência crescente para a administração de alimentos ricos em proteínas, uma vez que o rendimento energético das proteínas é menor do que o dos glícidos. Assim, o animal consume um teor de energia inferior que em simultâneo sacia o seu apetite e limita a perda de massa muscular.
As dosagens estipuladas pelo médico veterinário devem ser rigorosamente respeitadas. De igual forma, quaisquer “extras“ (recompensas, barras de higiene dentária) deverão ser identificados deduzindo-se o volume equivalente da dose prescrita. No final da dieta, as quantidades são progressivamente aumentadas para impedir a reaquisição do peso perdido. Recomenda-se o fraccionamento da dosagem em 3 ou 4 refeições diárias, para evitar a sensação de fome.

 

Perguntas e respostas

Qualquer cão que evidencie um excesso de peso visível deve emagrecer. Por vezes pode ser difícil aceitar que um cão de 5kg que agora pese 6kg apresente já uma sobrecarga ponderal e como tal deverá ser submetido a um regime dietético, tal como uma mulher de 60kg que pese 72kg! Por conseguinte, não se deve hesitar em observar e palpar os cães para detectar um eventual excesso de peso e alertar o proprietário de imediato.

• raças com maior propensão (p. ex.: Labradores, raças pequenas de companhia, os cães de guarda, que se pretendem robustos e dissuasores...);
• cães com uma alimentação desequilibrada: alimento demasiado apetente administrado em regime «self-service», oferta de guloseimas ou de sobras de refeições por refeições, etc;
• cães com actividade física reduzida: animais idosos, cães que vivam em apartamentos ou com doenças debilitantes (respiratórias, cardíacas, locomotoras, etc.);
• cães castrados e cadelas esterilizadas por ovariectomia ou tratamento contraceptivo.

Sim. A obesidade constitui um verdadeiro estado patológico na medida em que é responsável pela diminuição das capacidades físicas do animal, por doenças associadas e, frequentemente, por uma locomoção dolorosa . Para além disso, trata-se de uma situação não reversível de forma espontânea uma vez que o animal, por si só, é incapaz de reduzir a ingestão alimentar. Por isso, é muito importante o papel do Médico Veterinário em termos da sensibilização precoce dos donos de cães obesos ou com sobrecarga ponderal.

Em caso algum! As regras sociais servem para evitar conflitos, por isso mesmo um cão com um estatuto inferior deve comer sem ser incomodado. Retirar-lhe o comedouro não tem qualquer fundamento hierárquico: o cão pode tornar-se ansioso (pois nunca sabe se poderá comer) e mesmo agressivo (para defender o alimento) chegando ao ponto de morder. Assim, deve evitar-se interromper a refeição e deve-se desviar a atenção do animal antes de remover a tigela.

Nem sempre! Os proprietários são frequentemente aconselhados a só alimentar o cão depois de terem terminado a sua própria refeição, mas esta condição por si só não basta. Com efeito, é sobretudo a consistência da aplicação por todo o agregado familiar (não dar quaisquer alimentos sem ser no comedouro) que vai determinar a relação entre o cão e os donos. Assim, mesmo que o animal coma antes dos donos se não tiver acesso a alimentos fora das refeições, o seu comportamento alimentar será equilibrado.

Sim, mas só se o animal estiver doente. Esta prática estimula a sobrealimentação uma vez que o cão atribui maior valor aos alimentos dados directamente pelo dono. Assim, proporcionar pontualmente um acesso privilegiado à alimentação a um animal necessitado não coloca em causa a hierarquia, mas é indispensável retomar a rotina normal logo que seja possível.

Sim. Os jogos com dispensadores de alimentos são interessantes porque implicam uma certa actividade física e intelectual por parte do cão para os obter. Contudo, a sua utilização deverá limitar-se estritamente ao campo da recompensa, para reforço de um comportamento pretendido, e nunca como forma de controlar latidos ou a excitação do animal.

Sim. Os alimentos incorrectamente utilizados como recompensa podem incentivar o comportamento mendicante do animal, de acordo com o esquema de reforço. Por exemplo: o cão ladra quando o telefone toca. O dono dá-lhe alimentos para que deixe de ladrar. Ao recompensar o comportamento indesejável, estará a incitar o cão a ladrar de novo para obter outra guloseima. Deste modo, alguns donos chegam a administrar quantidade excessivas de alimentos, o que provoca a obesidade dos animais.

• Um cão com excesso de peso;
• Um cão que receba guloseimas ou restos das refeições;
• Um cão que solicite regularmente alimentos (mendigando-os durante as refeições dos donos, ladrando...);
• Um cão habituado a obter alimentos fora do horário das refeições (quando o dono regressa do trabalho, quando se encontra a ver televisão, sempre que se senta junto ao armário onde se encontram os biscoitos).

Sim. No entanto, é muito difícil produzir um alimento dietético caseiro perfeitamente equilibrado. Se o proprietário não medir com rigor as quantidades de ingredientes, o alimento corre o risco de ser pobre ou pouco eficaz. Um cliente que não queira administrar croquetes poderá obter melhores resultados através de um produto nutricional em lata.

Não, porque nesse caso o animal continuará com fome e solicitará constantemente alimentos. Para além disso, a restrição alimentar por vezes provoca alguns desequilíbrios, nomeadamente perda de massa muscular. Por conseguinte, é indispensável utilizar um alimento dietético com uma composição especificamente elaborada para favorecer o emagrecimento e evitar esses inconvenientes.

Em primeiro lugar, deverá certificar-se que o dono não confunde “exercício” com "corrida”, porque pode ser perigoso no caso de um animal obeso sedentário, com maior risco de acidentes cardiorespiratórios e articulares. Assim, prolongar progressivamente um passeio constitui um método mais adequado. A natação também é uma boa solução. Também se deverá sugerir ao dono que observe quais os jogos que mais agradam ao cão de forma a brincar com ele pelo menos 20 minutos por dia (lançar-lhe bolas de ressalto, jogar às escondidas, ocultar objectos, etc.). Por último, poder-se-á sugerir o lançamento das recompensas ou a utilização de um brinquedo dispensador de biscoitos para obrigar o animal a gastar alguma energia para os obter.

Bastará sugerir-lhe que, durante um dia, coloque numa “embalagem de extras” vazia a quantidade equivalente a cada guloseima ou sobras administradas ao animal. No final do dia, a embalagem conterá o volume total de alimentos consumidos pelo cão para além da dosagem diária. Muitos proprietários mostram-se impressionados ao verificar a quantidade armazenada. Também se pode recorrer a comparações chocantes: para um cão de raça pequena, um pedaço de queijo é equivalente à ingestão de um hambúrguer no Homem!

Sim. No entanto, os proprietários de animais com excesso de peso raramente têm este bom hábito, pelo que é pertinente saber como controlam as dosagens do alimento. Poder-se-á aconselhar que procedam à medição do volume alimentar, no mínimo, uma vez por dia (por exemplo marcando com um risco o nível de croquetes no copo doseador) para evitar diferenças consideráveis em relação às doses recomendadas.