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Alterações do Comportamento Alimentar

Factores que influenciam a alimentação e como resolver os principais problemas aquando da alimentação do seu cão.

Comportamento normal

Conhecer o comportamento alimentar normal do cão permite identificar de imediato qualquer variação no decurso da ingestão do alimento, atribuível ao próprio animal, ao alimento ou mesmo ao seu meio ambiente. Se, por um lado, a cor do alimento impressiona sem dúvida mais o dono do que o próprio cão, o mesmo não se passa em relação ao odor. De facto, muitas pessoas tiveram já oportunidade de observar um cão cheirar a tigela antes de engolir avidamente o seu conteúdo. As capacidades olfactivas do cão são efectivamente 100 a 100.000 vezes mais sensíveis do que as do Homem. O que explica que uma simples obstrução das cavidades nasais possa provocar uma clara diminuição da ingestão alimentar.

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Enquanto mastiga e deglute o cão bloqueia a respiração. Como tal, não é capaz de sentir o alimento pela segunda vez (olfacto retro-nasal). Consequentemente, uma vez na cavidade bucal, irá apenas considerar o gosto, a textura e a temperatura do alimento.
A apreciação pelo cão dos quatro sabores de base (ácido, amargo, salgado e doce) parece equivalente à dos humanos.
A apetência de um alimento húmido contendo em média 80% de água é geralmente superior à de um alimento seco. É por esse motivo que poderá revelar-se útil misturar estes dois tipos de apresentação em determinados períodos críticos como o desmame ou a lactação para evitar uma recusa alimentar prolongada com consequências bastante graves.

A alimentação da mãe influi sobre a preferência olfactiva das suas crias

De facto, algumas variedades gustativas do alimento materno são encontradas no leite que produz e influenciam por sua vez o comportamento gustativo posterior dos cachorros; os odores libertados pelo conteúdo da tigela também participam na impressão gustativa da ninhada, que de seguida, irá preferir espontaneamente os alimentos que libertam odores semelhantes.
Pode-se assim, e desde cedo, condicionar os cachorros ao alimento que lhe será fornecido mais tarde. A influência da alimentação da cadela no final da gestação sobre as preferências gustativas da futura ninhada é actualmente objecto de estudos.

   

Factores que influenciam o comportamento alimentar

Parâmetro

Influência.

Raça

Raças pequenas geralmente são mais "difíceis".

Sexo

A esterilização predispõe ao aumento do apetite. As fêmeas preferem frequentemente os sabores adocicados.

Temperatura do alimento

Morna. O cão não gosta de alimentos demasiado quentes.

Cor do alimento

Não influencia.

Odor do alimento

++++

Gosto do alimento

+++ (gorduras, proteínas e ácidos)

Consistência

Frequentemente os cães dão preferência aos alimentos rehidratados.

Meio envolvente

++ (influência da hierarquia)

Noite/dia

A maioria dos cães come e bebe sobretudo de dia.

Alimento novo

A maioria dos cães prefere um alimento novo (neofilia).

Problemas mais frequentes com o comportamento alimentar

O cão não come: Anorexia

Seria excessivamente demorado enunciar aqui todas as causas responsáveis pela anorexia. No entanto, poder-se-á começar por procurar as causas mais frequentes como a hipertermia (febre), a busca activa de um parceiro sexual ou ainda a concorrência alimentar quando um cão dominante impede o acesso do seu congénere ao comedouro. As alterações provocadas pela má conservação dos alimentos constituem também uma causa frequente de inapetência. Excepto nestas condições, um cão que não se alimente deve ser observado por um Médico Veterinário.

O cão come muito: Bulimia

Um cão pode ser bulímico por medo da falta de alimento (concorrência alimentar), por distúrbios neuro-hormonais, por aborrecimento, devido a uma alimentação pouco energética ou um problema de assimilação. O controlo da ingestão (aquilo que o cão come) e dos dejectos (excrementos), das variações de peso e da observação do comportamento do animal permitem, numa primeira fase, orientar logicamente o diagnóstico para uma destas hipóteses.

O cão ingere substâncias não comestíveis: Picacismo

A simples ingestão ocasional de ervas seguida de vómitos não está relacionada com qualquer perturbação psicológica ou de carência alimentar. Quando este comportamento se acentua, indica frequentemente um início de gastrite (inflamação da mucosa do estômago). Em contrapartida, a verdadeira situação de pica traduz-se pelo acto do cão lamber as paredes, o solo ou ingerir terra e manifesta-se frequentemente em cães «depressivos». As condições de alojamento devem ser imediatamente verificadas.

O cão come excrementos: Coprofagia

Com excepção das mães que lambem naturalmente as matérias fecais dos cachorros, a ingestão, pelo cão, dos próprios excrementos ou dos seus congéneres, está normalmente, associado ao facto de estes conterem nutrientes não digeridos e, como tal, possuírem ainda uma certa apetência residual. Neste caso, será necessário investigar em primeiro lugar uma eventual perturbação da assimilação digestiva procedendo à análise das fezes para detectar a persistência de gorduras ou amido não digeridos, bem como a presença de eventuais parasitas.

Por vezes, este fenómeno da persistência de alimentos não digeridos nas fezes é seguido por um consumo excessivo de alimentos responsável pela aceleração do trânsito intestinal. A simples redução quantitativa do alimento diário é suficiente para fazer desaparecer estes sintomas. É de notar, igualmente, que determinadas raças de cães estão mais predispostas à coprofagia como é caso dos cães de raça grande, nomeadamente os Pastores Alemães.