Brincar
O cachorro adora brincar. Esta oportunidade deve ser aproveitada para o educar sem dificuldade, através de pequenos exercícios que o animal realizará com prazer. Por definição, brincar é aprender atitudes e comportamentos adequados para a vida. É também um meio priviligiado para educar o animal e é um prazer compartilhado por ambos.
Os cachorros adoram mordiscar, mastigar ou mesmo morder. Se o cão lhe morder as mãos, deverá impedi-lo. Para tal, é necessário que tenha os seus próprios brinquedos, mas tendo em atenção que estes sejam de tamanho adequado para que o animal não os engula.O prazer e o rigor condicionam o sucesso da educação do cachorro.
Para além dos jogos que lhe permitirão educar o cachorro num clima de alegria partilhada, a aprendizagem do cachorro também deve revestir-se de uma certa firmeza numa envolvente de confiança e paciência. Uma vez que cão é dotado de um grande sentido de justiça, desenvolverá muito melhor o desejo de ganhar a sua confiança e de lhe agradar.
Obediência
Para o cachorro entender uma ordem, a voz utilizada deve ter um tom forte e as palavras devem ser curtas. Por vezes um simples NÃO é suficiente.
Enquanto passeiam, alguns cães não vão ter com os seus donos quando são chamados. Aproximam-se do dono, mas param a alguns metros dele. Basta o dono se aproximar, para fugirem de novo. Nestas situações, o dono deve permanecer calmo e nunca lhe deve gritar. Mesmo que o cão demore o seu tempo a regressar, não deve ser castigado quando chega perto do seu dono, pois irá associar o castigo ao facto de ter voltado.
Ao contrário do que se pensa, em vez de ser castigado, o cachorro deve ser recompensado com elogios, carícias ou biscoitos, e o dono não deve colocar-lhe a trela imediatamente. Em vez disso, o cão deve ser motivado a ir brincar de novo.
Regras do treino:
- Seja paciente;
- Nunca se enerve ou grite;
- Nunca ceda;
- Para cada ordem empregue sempre as mesmas palavras e gestos;
- Nunca se esqueça da recompensa quando é merecida;
- Acabe o treino de um modo positivo ou com uma brincadeira.
Recompensas e castigos
A recompensa aumenta a motivação e facilita a educação.
Para serem eficazes, as recompensas deverão ter um significado para o cão, ou seja o dono deverá felicitar o animal com carícias, abraços ou dando uma entoação particularmente agradável ás suas palavras.
O castigo deverá ser aplicado de imediato. Se o castigar passado algum tempo sobre a acção indesejável, será inútil. Os castigos a posteriori podem pelo contrário provocar ansiedade no animal pois não compreende a sua atitude. É sempre preferível a recompensa por um bom comportamento ou o ignorar de uma reacção inesperada, do que o castigo, reservando-o para as situações perigosas para o cão. O castigo pode ser directo, agarrando-o por exemplo, pela pele do pescoço e sacudindo-o ligeiramente (reproduzindo assim o comportamento maternal) ou batendo-lhe com um jornal.
Nunca bata ao animal com a intenção de o magoar. O castigo deverá cessar logo que o animal evidencie uma postura submissa. Se o animal se deitar ou urinar de medo, pare imediatamente o castigo pois o animal já compreendeu.
Linguagem
A linguagem deve ser adaptada ao animal. Como tal, as ordens deverão ser simples, curtas e repetidas frequentemente. Não se esqueça que o cão percebe melhor a entoação dada ás palavras do que o seu sentido. Assim, o seu tom de voz deve variar consoante se trate de uma ordem, de uma felicitação ou de uma reprimenda. A expressão facial também constitui é um meio eficaz de comunicar com o cachorro.
A inibição de morder
Tal como acontece com todos os animais, o treino de um cachorro começa no dia do seu nascimento. Nesta altura, o cachorro recebe através da progenitora algumas lições de vida valiosas, como é o caso da inibição de morder, que consiste na capacidade de ensinar o cachorro como limitar a força e a frequência da mordedura.
Por exemplo, durante o aleitamento, a cadela rosna ou afasta o cachorro da teta se o contacto for demasiado brusco ou doloroso, como forma de ensinar a cria a ser mais cuidadosa.
O dono do cachorro deverá então ensiná-lo que o contacto dos dentes com a pele humana provoca dor, manifestando-o através de um grito ou afastando-se do contacto com o cachorro, por forma a que o animal possa perceber que tal se trata de um comportamento não permitido.
Os cães bem socializados mas que não possuem capacidades de inibição de morder, são inevitavelmente aqueles que se transformam em adultos perigosos, uma vez que são muito sociáveis, mas não têm qualquer controlo sobre a sua força.
Em casa e na rua - seja coerente
Os cães não possuem a capacidade de generalizar, por isso um comportamento adquirido em sua casa poderá não ser necessariamente o comportamento demonstrado por exemplo num parque ou em casa de outra pessoa. Quantas vezes já ouviu comentar "Não sei porque é que ele está a fazer isto, nunca o faz em casa!"
Para que o cachorro se comporte consistentemente numa ampla variedade de locais e ambientes, o proprietário terá de treiná-lo de forma consistente. Quando se leva um cachorro para um novo ambiente, compete ao proprietário ensinar-lhe o que é permitido fazer nesse ambiente., utilizando para o efeito os métodos de treino com reforço positivo mencionados anteriormente.
Aceitar o tempo que passa sozinho
Quando o dono consegue mostrar ao cachorro que estar sozinho não é um castigo, essa talvez seja uma das maiores contribuições para o treino de um cão adulto equilibrado e feliz.
Um cachorro novo é sempre o centro das atenções do agregado familiar mas também deve possuir um “espaço próprio”. As jaulas de interior têm vindo a ter uma utilidade crescente para providenciar um abrigo seguro onde o animal pode refugiar-se. É importante que esse espaço seja encarado como um refúgio e não como um castigo. Nesse espaço próprio deve ser colocada a alimentação e a água assim com os brinquedos favoritos do animal.
Para aumentar a sensação de prazer e reforçar positivamente comportamentos desejáveis enquanto o animal se encontra na jaula (ou qualquer outro espaço próprio) o proprietário poderá utilizar como recompensa alguns brinquedos ou acessórios para mastigação*. Isto vai permitir que o animal permaneça calmamente deitado roendo um objecto adequado e apreciando o tempo que passa sozinho.
*É preciso referir que roer é um comportamento natural do cachorro e que se não lhe for proporcionado nenhum objecto adequado para roer, o animal encarregar-se-á de encontrar qualquer coisa no interior ou exterior da jaula!
A educação do cachorro em 8 lições
1. Ensiná-lo a reconhecer o seu nome
Não precisa gritar, o ouvido do cão é muito apurado: pronuncie lenta e claramente o nome do cachorro para captar a sua atenção e associe-o a todas as ordens que lhe der.
- Chame o cachorro pelo nome desde o primeiro dia;
- Anteceda o chamamento por um momento agradável de forma a incentivá-lo a executar as suas ordens;
- Se vier até junto de si, felicite-o e recompense-o com uma carícia;
- Se demorar um pouco não o repreenda: caso contrário, da próxima vez ainda demorará mais tempo!
2. Não!
As suas ordens devem ser coerentes: o que proíbe num dia, não pode ser tolerado no dia seguinte nem por outros membros do agregado familiar. Desde a sua chegada, é fundamental incutir o sentido da palavra "Não" ao cachorro.
- O “Não” deve ser associado a qualquer proibição, independentemente da sua natureza;
- Deve ser categórico e pronunciado num tom de voz firme e inequívoco sempre que veja o cachorro cometer uma acção proibida;
- No início da aprendizagem não hesite em dar-lhe uma palmadinha nas costas do cachorro enquanto diz “Não”. O animal compreenderá de imediato o significado do “Não” adaptando o seu comportamento á mínima entoação da sua voz.
3. A higiene
Se o seu cachorro se descuidou em casa durante a sua ausência, não o repreenda! A repreensão só será eficaz se o apanhar em flagrante. De um modo geral, um cachorro recém-chegado a uma casa não é asseado, excepto na área de repouso.
- Leve o seu cachorro frequentemente à rua, se possível com intervalos de 2 horas durante o dia (saídas menos frequentes irão atrasar o processo de aprendizagem);
- Faça-o, impreterivelmente, a seguir ás refeições, ao despertar e na sequência de momentos de brincadeira;
- Felicite-o através do tom de voz ou de carícias sempre que ele fizer as suas necessidades no exterior;
- Se o cachorro começar a andar ás voltas dentro de casa, espere que ele comece a fazer a necessidade para o impedir, erguendo-o no ar enquanto exclama "Não" com firmeza e leve-o à rua de imediato. Assim que ele tiver terminado as suas necessidades no exterior, acaricie-o e felicite-o.
- Por último , não se esqueça que na cidade o asseio é imperativo!
4. Senta… Deita...Quieto!
É importante respeitar a cronologia indicada para a aprendizagem destas três ordens básicas, certificando-se que uma delas está já adquirida antes de passar à seguinte. De início, estes exercícios devem ser realizados com trela, desde que o animal esteja familiarizado com a sua utilização.
- Senta
Enquanto dá a ordem “Senta”, exerça uma ligeira pressão sobre os rins do cachorro com uma mão, enquanto com a outra lhe mantém a cabeça erguida. Logo que o animal se sentar, felicite-o, acariciando-o enquanto menciona o seu nome.
- Deita
Comece por fazer com que o seu cachorro se sente e coloque-se de cócoras junto a ele. De seguida, puxe suavemente as patas dianteiras para a frente enquanto dá a ordem “Deita”. Quando o animal estiver deitado, felicite-o por meio de carícias.
- Quieto
Faça o cachorro sentar-se, completando a ordem “Senta” com “Quieto”. Movimente-se alguns centímetros à sua volta e se ele se levantar ou o seguir diga-lhe “Não” e volte a colocá-lo na posição inicial, repetindo “Senta – Quieto”. À medida que o cachorro for evoluindo na aprendizagem deste comando, distancie-se cada vez , porém mantendo-o preso com uma trela ou por uma correia.
5. Passear com trela
Nunca bata no cachorro com a trela: esta deve ser sinónimo de passeio e de alegria, e não de castigo. Tal como a higiene, quanto mais cedo o cachorro se habituar ao uso de trela mais fácil será a aprendizagem.
- Habitue o cachorro à coleira e depois inicie pequenos percursos dentro de casa com ele pela trela, diversas vezes ao dia e por períodos curtos de tempo;
- De seguida, deve aprender a caminhar com trela. Primeiro sente-o à sua esquerda (por uma questão de comodidade pessoal poderá optar pela direita, desde que seja sempre o mesmo lado), depois dê a ordem para avançar e comece a caminhar;
- Segure a trela com folga e caminhe na sua cadência habitual: o cachorro deve caminhar junto a si, com a cabeça à altura dos seus joelhos, mantendo a trela flexível;
- Sempre que parar, mande-o sentar-se, recompensando-o com uma carícia;
- Se o animal puxar a trela diga "Não", enquanto dá um puxão seco na mesma.
6. A chamada
Se o seu cachorro não obedecer à ordem “Aqui”, avance na direcção oposta ou esconda-se: perturbado por se encontrar sozinho, o cachorro voltará para junto si rapidamente!
Mais do que uma ordem, a chamada é um convite para o animal regressar para junto de si e receber carícias ou recompensas: a chamada deve ser relacionada com uma situação positiva mas também exige bastante rigor da sua parte.
- Comece por associar a chamada à administração do alimento: um membro do agregado familiar pode manter o cachorro à distância enquanto prepara a refeição do animal. De seguida, chame-o pelo nome e diga "Aqui";
- Pouco a pouco, à custa de carícias, felicitações e estímulos positivos, o cachorro adquire que ao escutar o comando “Aqui” deve regressar de imediato ao seu lado;
- De início, realize as sessões de treino dentro do perímetro da casa, antes de levar o cachorro para o exterior com uma trela comprida.
7. A separação
Na medida do possível, não tente habituar o seu cachorro a estar sozinho antes dos 4 a 5 meses: poderá originar verdadeiras crises de ansiedade no animal. A solidão é uma realidade que o seu cachorro irá conhecer ocasional e regularmente, e por consequência deverá estar preparado para a enfrentar.
- Aproveite as ocasiões em que o animal esteja cansado para o habituar a estar sozinho;
- De início, ausente-se apenas durante alguns minutos. Se o cachorro choramingar regresse para junto dele, ralhe-lhe, e retire-se novamente. Quando regressar, se o animal estiver calmo felicite-o;
- Progressivamente, poderá prolongar a duração das suas ausências de forma a que se torne uma prática natural que dispense rituais de despedida ou reencontros exuberantes.
8. As refeições
Guloseimas ou sobras de refeições alteram o equilíbrio nutricional proporcionado pelo alimento completo administrado ao cachorro. Por outras palavras, se esta distribuição for excessiva ou regular, pode prejudicar a saúde do animal, favorecer a obesidade e incentivá-lo a mendigar alimentos durante as refeições dos donos. As refeições devem caracterizar-se por um código de boa conduta que, uma vez respeitado, evitará bastantes comportamentos indesejáveis.
- Adopte uma frequência correcta: até aos 6 meses administre três refeições por dia, depois passe para duas até ao final da fase de crescimento;
- Administre as refeições a horas fixas, na mesma tigela e no mesmo local, se possível , afastado do local de repouso do animal. Deixe sempre uma tigela com água limpa e fresca à disposição do cachorro;
- O cachorro deve comer depois dos donos. Assim, compreenderá quem é o elemento dominante. É deste modo que se processa a hierarquia numa matilha.
Uma vez que cada cão é um caso único, se não souber como proceder para educar o cachorro, poderá recorrer à ajuda de profissionais. Existem inúmeras instituições que se dedicam ao adestramento de cães, com as quais poderá entrar em contacto.




