Fêmeas reprodutoras
Cruzamento
O período de estro não pressupõe exigências nutricionais específicas para a cadela contrariamente a algumas espécies nas quais é habitual praticar-se nessa fase uma sobrealimentação temporária denominada «flushing». Simplesmente, dever-se-á tentar que a perda de apetite que o caracteriza seja compensada por uma maior apetência da alimentação e que a cadela não esteja nem magra nem obesa para que se possa considerar «serenamente» uma gestação.
Gestação
Durante as cinco primeiras semanas, a gestação não provoca um aumento assinalável das exigências nutricionais da mãe. O crescimento dos fetos é ainda reduzido, a mineralização dos esqueletos não se iniciou e o seu volume não restringe as capacidades gástricas da cadela.
Em contrapartida, o considerável desenvolvimento ponderal e esquelético dos fetos a partir da 6ª semana de gestação leva a um aumento progressivo das necessidades proteicas, energéticas e minerais da cadela. Durante a última semana, o aumento da oferta torna-se contraditório com a perda de apetite frequentemente observada na mãe.
Nessa fase, a cadela deverá ser alimentada com uma dieta de grande apetência, de elevada densidade energética e boa digestibilidade, fraccionada preferencialmente em diversas pequenas refeições ao longo do dia. Este alimento, adequado também ao período de lactação, permitirá preparar o tubo digestivo da mãe para uma transição progressiva entre o final da gestação e o início da lactação, duas etapas com exigências nutricionais comparáveis.
Conselhos úteis:
- O peso da fêmea no final da gestação não deve ultrapassar em média 120% do seu peso de manutenção (110% nas raças muito grandes, 130% nas raças miniaturas) para evitar o risco de distócia causada pela obstrução da região pélvica por excesso de gordura.
Lactação
Contrariamente aos dois períodos anteriores, a lactação provoca um aumento considerável das exigências nutricionais da mãe face à excepcional riqueza do leite (cálcio, energia, proteínas) fornecida à ninhada (1200 a 1500kcal, por kg de leite em função da raça e do dia de lactação). Naturalmente, estas necessidades dependem do número de cachorros e das suas necessidades de crescimento ligadas ao potencial de crescimento da raça em causa.
A produção total de leite durante o período de lactação, pode ser calculada através da fórmula:
PT = PxC+0,1(N-4)xP
Em que:
PT = produção total
P = peso da cadela
N = número de cachorros
C = factor corrector racial
| Peso de manutenção da cadela | Valor do factor C |
| Inferior a 8kg | 1.6 |
| Situado entre 8 e 14kg | 1.7 |
| Situado entre 14 e 20kg | 1.8 |
| Situado entre 20 e 26kg | 1.9 |
| Superior a 26kg | 2 |
Assim, podemos calcular a produção láctea de uma cadela de 25kg que tenha parido 6 cachorros:
1,9x25+0,1(6-4)x25 = 50kg de leite ou seja mais de oito litros por cachorro.
A produção máxima desta cadela no pico de lactação (por volta da terceira semana) atinge o nível de 2 litros por dia.
Tendo em conta o valor energético do leite da cadela (aproximadamente 1350 kcal por kg) e aquilo que poderíamos classificar como o «rendimento energético de transformação do alimento em leite» (aproximadamente 80%), é fácil deduzir o aumento das necessidades energéticas da cadela no seu pico de lactação que seria da ordem de 2 x 1350/0,8 = 3375kcal, ou seja mais do triplo das suas necessidades energéticas de manutenção.
É facilmente perceptível porque é que nesta fase, muitos criadores preferem alimentar as suas cadelas em regime «ad libitum» com alimentos industriais secos hiperenergéticos (cerca de 4000kcal por kg) uma vez que o animal não consegue suprir as suas necessidades energéticas com um maior volume de alimentos caseiros ou de lata.
Com efeito, a mesma cadela com necessidades energéticas calculadas em 1475 (necessidades de manutenção) + 3375 (necessidades de manutenção) = 4850kcal, passa a ter a opção entre o consumo de 1,2kg de croquetes com 4000 kcal/kg ou aproximadamente 3,5kg de alimentação caseira ou industrial húmida!
Pode igualmente proceder-se ao cálculo das necessidades energéticas da mãe adicionando à respectiva NEM 250kcal por quilo de cachorro aleitado, fórmula muito mais simples mas que proporciona apenas um valor aproximado uma vez que as necessidades energéticas dos cachorros não são absolutamente lineares!
Assim sendo, é importante reter que as necessidades alimentares da cadela em lactação podem ser triplicadas, ou mesmo quadruplicadas no pico de lactação, requerendo:
- O fraccionamento da alimentação diária em três ou mais refeições;
- Um aumento considerável da densidade energética do alimento;
- A utilização de um alimento específico para lactação a partir da sexta semana.
Independentemente das quantidades de alimento administradas, a perda de peso da cadela comparativamente ao seu «peso habitual» não deve ser superior a 10% após um mês de lactação. Este emagrecimento, por vezes inevitável, deverá ser recuperado no mês seguinte ao desmame dos cachorros.
Cachorro
Nascimento
Assim que nascem, os cachorros procuram espontaneamente as tetas da mãe para beber o colostro. Alguns dias mais tarde, a secreção láctea da mãe cobrirá todas as necessidades dos cachorros até ao início do desmame. Se necessário, o criador pode oferecer um suplemento alimentar. Os cachorros devem receber o colostro nas primeiras 24 a 36 horas de vida porque, para além deste período, a absorção intestinal de anticorpos torna-se ilusória.
Aleitamento natural
Durante as primeiras 36 horas de vida, os cachorros devem mamar o primeiro leite ou colostro. Este, é rico em proteínas, energia e anticorpos e protege o cachorro contra as doenças. Uma das causas do "choro intenso" dos cachorros durante o dia é a fome. De facto, os recém-nascidos podem não estar a mamar o leite suficiente. É por esta razão que se recomenda a pesagem diária dos cachorros. Se o ganho de peso for insuficiente ou se a mãe tiver uma ninhada numerosa, não se deve hesitar em complementar a dose diária com um suplemento de leite adaptado à espécie canina.
Sabia que...
A ausência de leite (agalactia) é rara nas cadelas. No entanto, a produção de leite pode ser insuficiente se a cadela for submetida a uma cesariana antes do final do tempo de gestação ou se as mamas se apresentarem muito congestionadas. Quando a produção de leite é insuficiente, algumas injecções subcutâneas de oxitocina de 2 em 2 ou de 3 em 3 horas podem ser recomendadas, a fim de estimular a produção de leite. Em ambos os casos, um suplemento ou um substituto do leite materno é essencial.
Aleitamento artificial
Caso seja necessário o fornecimento de suplemento ou substituto do leite materno, o criador deve seleccionar um leite adaptado à espécie canina e utilizar, de preferência, água engarrafada para a sua preparação. O leite deve ser preparado imediatamente antes da sua administração e não deve ser guardado por mais de algumas horas, no frigorífico. Se os cachorros conseguirem mamar correctamente, o biberão é a melhor solução. A entubação é um processo muito técnico e é necessário evitar que a sonda atinja os pulmões, uma vez que isto pode provocar uma pneumonia por aspiração. Se os cachorros forem órfãos, o criador também deverá imitar o comportamento maternal, estimulando a área perineal dos cachorros com um pano quente humedecido durante 3 semanas a fim de os encorajar a urinar e defecar.
Desmame
O desmame corresponde ao processo de mudança de uma alimentação exclusivamente láctea para um alimento de crescimento. Termina pela separação física da cadela e da sua ninhada. Os cachorros de raças gigantes são mais imaturos na altura do desmame do que os cachorros de raças pequenas.
O desmame é um período de transição durante o qual a capacidade de digestão do amido se começa a desenvolver. Em contrapartida, a sua capacidade de digerir a lactose por acção enzimática diminui acentuadamente, circunstância que explica a razão porque determinados cachorros podem apresentar diarreias na sequência de um aleitamento muito prolongado.
Quando começar?
Fisiologicamente, a produção de leite na cadela aumenta durante as primeiras semanas de lactação de forma a satisfazer todas as necessidades dos cachorros.
Contudo, após 3 ou 4 semanas os cachorros necessitam de outra fonte alimentar, para satisfazer as necessidades do crescimento.
Quanto maior for a ninhada, mais cedo a capacidade láctea da progenitora e excedida. Para além disso, a erupção dos dentes incisivos do cachorro ocorre por volta das 4 semanas, tornando o processo de aleitamento doloroso para a cadela. Dependendo do tamanho da raça, o desmame ocorre num período mais ou menos delicado para os cachorros: nos cães de raças grandes ou gigantes, ocorre numa fase de intenso crescimento. Inversamente, para as fêmeas, a fase de lactação é mais desgastante para as raças pequenas e médias.
Como fazer?
Às 4 semanas de idade, os cachorros seguem o comportamento alimentar da progenitora. Assim, é mais fácil começar o desmame da ninhada quando é fornecido o mesmo alimento à cadela e aos cachorros, pois estes vão ingeri-lo por imitação.
Como a dentição dos cachorros às 3-4 semanas é limitada, é aconselhável rehidratar o alimento para facilitar a ingestão, e reduzir gradualmente a quantidade de água para oferecer o alimento seco na altura em que os cachorros atingem as 6 semanas de idade.
Que produto escolher?
Os criadores estão continuamente a investigar a solução mais fácil e mais eficaz para satisfazer os seus cachorros.
A utilização apenas de carne é um erro, uma vez que essa não fornece quantidades suficientes de cálcio para cobrir as necessidades do crescimento. Os animais alimentados com preparações caseiras necessitam de suplementos minerais. Estas preparações, apresentam também a desvantagem de variar consideravelmente em composição de dia para dia, o que pode causar diarreias.
Os alimentos húmidos são muito palatáveis, mas nem sempre estão adaptados às necessidades dos cachorros em crescimento. Existem no mercado alimentos secos especialmente concebidos para a fase de desmame, os quais não necessitam de qualquer preparação e tornam possível o fornecimento do mesmo alimento à cadela e ao cachorro. A sua uniformidade nutricional elimina o risco de súbitas mudanças na dieta e exclui a necessidade de administrar suplementos.
Os avanços tecnológicos tornaram possível propor aos criadores croquetes de textura adaptada aos dentes e maxilares dos cachorros e que são facilmente rehidratados, o que facilita a transição do leite materno para uma alimentação sólida.
Crescimento
As necessidades energéticas do cachorro em crescimento dependem naturalmente do seu peso, mas também do peso que deverá atingir na idade adulta e, como tal, da respectiva taxa de crescimento.
Durante o crescimento, qualquer desequilíbrio nutricional repercute-se nos tecidos em formação.
Cachorros de raças pequenas e médias
O crescimento de cães de raças pequenas e médias tem uma duração relativamente curta: 10 e 12 meses, respectivamente. Contudo, esta é uma fase muito exigente em termos nutricionais: um cachorro necessita do dobro da energia de um cão adulto, uma vez que as necessidades energéticas para a fase de crescimento acrescem às da fase de manutenção.
Os cachorros de raças pequenas desmamados durante o período de formação do tecido adiposo estão muito predispostos à obesidade em caso de consumo excessivo. Nestes cães uma subalimentação ligeira é menos prejudicial do que o excesso, uma vez que um pequeno atraso ponderal pode ser seguidamente compensado enquanto que um excesso de gordura adquirido na fase de crescimento é dificilmente reversível na idade adulta.
Cachorros de raças grandes e gigantes
Os cães de raças grandes terminam o seu crescimento por volta dos 15/18 meses de idade. Nos cães de raças gigantes, o crescimento é muito longo e delicado, podendo mesmo prolongar-se até aos 24 meses!
Existem duas fases distintas no crescimento de cachorros de raças grandes e gigantes:
- Uma fase de crescimento extremamente rápida, durante a qual é desenvolvida grande parte do esqueleto;
- Uma fase de crescimento mais lenta, caracterizada pelo desenvolvimento muscular.
O fornecimento de uma quantidade máxima de calorias num volume de alimento limitado evita exceder a capacidade digestiva dos cachorros, um fenómeno frequente aquando da ingestão de grandes volumes de alimento com vista a satisfazer todas as suas necessidades. Durante esta fase, o cachorro deve ser alimentado com um produto hiperconcentrado em energia.
Até ao 5º mês, a necessidade energética é de tal forma elevada que existem poucos riscos de consumo excessivo. No entanto a capacidade do cachorro ingerir grandes quantidades de alimento continua a ser limitada. O dono terá de regular a quantidade diária de alimento, para evitar que o cão aumente de peso muito rapidamente.
Nos cachorros de raças grandes, ao contrário do que acontece nas raças pequenas, o desmame processa-se durante a fase de crescimento esquelético. Uma insuficiência alimentar em proteínas ou em cálcio vai afectar a correcta formação da estrutura óssea (osteodistrofia). Inversamente, um consumo excessivo de energia acelera o crescimento. Esta circunstância pode perturbar a congruência das articulações cuja formação depende de diversos níveis de ossificação (displasia articular).
As necessidades em cálcio são avaliadas em função do peso dos cachorros: 400 mg/kg no início do crescimento, atingindo no final desse período as necessidades do animal adulto calculadas em 200 mg/kg.
A título de exemplo, um cachorro de 30 kg em fase de crescimento terá uma necessidade de cálcio 6 vezes superiores a um cachorro de 5 kg na mesma fase de desenvolvimento. Em contrapartida, as suas necessidades energéticas são apenas 4 vezes maiores. Por este motivo é importante alimentar o cachorro com um alimento cuja proporção cálcio/energia esteja adaptada ao seu potencial de crescimento.
O crescimento do cachorro deve ser controlado através de uma pesagem regular, que permita actualizar a curva de crescimento.
Aos 5 meses de idade o cachorro nunca deve exceder 50% do seu peso previsto em adulto. Se isso acontecer, o volume alimentar deve ser reduzido.
Importante! Ao fazer uma estimativa do peso em adulto, deve ter-se em consideração o porte, a linhagem (peso dos progenitores) e o sexo: as fêmeas são sempre menos pesadas e mais prematuras que os machos.
Alguns estudos mostraram uma relação significativa entre o consumo de energia em excesso e a maior incidência de problemas osteoarticulares em cachorros de raças grandes e gigantes.
(Hedhammar & Coll, 1974; Daemmrich, 1991; Kealy & Coll, 1992; Zenteck & Coll, 1995)
Riscos de uma alimentação desequilibrada
No cachorro, os riscos associados à ingestão de um alimento pouco equilibrado são de três tipos:
- Excesso energético: afecta sobretudo os cães de raça pequena (particularmente relacionado com uma maior afectividade). Condiciona um desenvolvimento adequado do tecido adiposo. As células adiposas aumentam face ao excesso alimentar constituindo, assim, a base de uma obesidade que passará a ser clínica na idade adulta. Para além disso, um excesso ponderal, ainda que ligeiro, durante a fase de crescimento predispõe o cão a problemas osteoarticulares.
- Carência proteica: constitui igualmente um risco importante de atraso em termos de estatura ou de crescimento harmonioso, pois o crescimento é a fase da vida do cão em que os tecidos ósseos e musculares se encontram em formação.
- Carência e excesso de cálcio: responsáveis pelo desenvolvimento de processos osteofibróticos (em caso de carência) ou de osteodistrofias hipertrofiantes (em caso de excesso). A carência está muitas vezes relacionada com uma distribuição excessiva de carne não suplementada, associada ou não a uma base de alimento completo. O excesso, está, na maioria dos casos, ligado a uma administração imprudente de suplementos de cálcio a cachorros que recebem um alimento completo especialmente formulado para a fase de crescimento.
Cão adulto
Cão adulto em manutenção
A necessidade de “manutenção” significa a necessidade nutricional mínima de um cão adulto de actividade “normal”, sujeito a uma temperatura que ronde os 20ºC, sem gastos de energia excepcionais, causados por doença ou por um estado fisiológico particular (gestação, lactação, crescimento, etc).
Na verdade, é a necessidade nutricional standard de um cão de tamanho médio (11 a 25kg) que servirá de referência a todas as outras necessidades do cão, maior actividade, gestação, envelhecimento ou doença crónica. Um cão raramente tem a actividade reduzida ao mínimo. Assim, alimentar convenientemente um cão com uma dieta de manutenção não significa simplesmente dar-lhe o mínimo necessário, mas sim manter um bom estado de saúde, evitando qualquer tendência para a obesidade, que é tão frequente no cão.
As principais características de um alimento de manutenção são:
- Manter o peso ideal do animal por meio de uma excelente digestibilidade dos alimentos sem a ingestão excessiva de gorduras;
- Favorecer a beleza do pêlo e da pele, com níveis suficientes de ácidos gordos essenciais, de aminoácidos essenciais, bem como de vitaminas do complexo B.
Ao atingir a idade adulta, o cão precisa de uma quantidade adequada de energia para manter o seu peso: quanto maior o peso, menor a necessidade energética por kg.
Cães de raças pequenas e médias
Devem receber um alimento mais concentrado em energia e, portanto, em gordura do que um cão de raça média. Uma maior concentração de gordura aumenta a apetência do produto.
A apetência é um factor essencial para os cães pequenos, frequentemente de apetite difícil, pois os proprietários cedem facilmente aos seus caprichos.
Os cães pequenos consomem mais facilmente e com mais vontade croquetes de tamanho mais pequeno.
Cães de raças grandes e gigantes
Nestes cães, o aumento da densidade energética permite diminuir ligeiramente o volume das refeições e, portanto, minimizar o risco de má digestão.
Esta precaução faz também parte das medidas preventivas de uma síndrome frequente nas raças grandes, a dilatação/torção gástrica.
A apresentação do alimento também é importante: os croquetes grandes e pouco densos podem tornar a ingestão ligeiramente mais lenta.
Cão adulto de trabalho
A alimentação permite melhorar o desempenho físico de um cão na mesma proporção que a selecção genética e o treino. Para manter um cão activo em boa condição física é preciso adaptar a densidade energética do alimento às necessidades do animal.
Podemos destacar três tipos de esforços em função das necessidades alimentares requeridas por estes animais:
- Esforço muito rápido (alguns segundos): tipo salto ou ataque curto que representa um gasto energético muito reduzido. Naturalmente, o sucesso deste tipo de prova depende muito mais do treino e da aprendizagem do que da alimentação.
- Esforço intermédio: tipo corrida de galgos ou percurso de «agility», durante o qual uma fonte de glícidos deverá estar rapidamente disponível. Para este tipo de desportos, a alimentação deve estar adaptada de forma a permitir que organismo utilize preferencialmente a «via rápida», que poderia ser comparada à aceleração de um carro de Fórmula 1: «gastadora» mas eficaz... Neste caso, os alimentos de «alta energia» tipo 30/40/20 (30% de proteínas, 40% de glúcidos e 20% de lípidos) associados a um treino adaptado, demonstraram já a sua eficácia.
- Esforço de resistência: tipo caça ou corridas de trenó, que requer sobretudo a combustão de gorduras para fins energéticos . Esta via metabólica poderia ser comparada ao motor diesel: economicamente mais lento. Em condições extremas, o teor de lípidos do alimento pode mesmo ultrapassar 50% da matéria seca em detrimento dos glícidos que deixam de ser indispensáveis.
Gordura
Um alimento rico em gordura melhora o desempenho dos cães. Se as matérias gordas forem utilizadas como carburantes, o cão economiza o glicogénio dos seus músculos, retardando o aparecimento da fadiga. Porém é necessário um mês de adaptação alimentar antes do treino, a fim de preparar o organismo e os músculos do cão para uma melhor utilização das gorduras.
Determinadas gorduras devem ser privilegiadas na alimentação de um cão activo: o óleo de coco fornece ácidos gordos rapidamente utilizados pelos músculos e o óleo de peixe fornece ácidos gordos que limitam os fenómenos inflamatórios causados pelo stress e o esforço físico.
L-carnitina
A ingestão de L-carnitina favorece uma boa utilização das gorduras e economiza as reservas do organismo. Um suplemento de vitaminas E e C ajuda a proteger o organismo do cão contra uma produção acrescida de radicais livres devido ao esforço.
Proteína
A actividade física intensa e o stress associado aumentam as necessidades de proteína do cão. Um alimento mais rico em proteína melhora os desempenhos, favorecendo a oxigenação muscular e reduz o risco de lesões.
Um alimento de alta energia não é exclusivo de um cão de desporto. Tem, aliás, numerosas aplicações: cães de exterior no Inverno, cadelas em lactação, preparação para exposições, cães difíceis ou sensíveis no plano digestivo, convalescência.
Cão geriátrico
Os cães de raças grandes envelhecem mais rapidamente que os cães de raça pequena. Na ausência de problemas particulares de saúde, é possível agir sobre os efeitos do envelhecimento graças a uma boa alimentação. Para ser eficaz, a modificação da dieta deve ser feita a partir dos 5 anos nos cães de raças grandes, 7 anos nos cães de raças médias e 8 anos em cães de raças pequenas.
Correspondência entre a idade do cão e do ser humano
| Idade do Cão | Idade Humana |
||
| Raças Pequenas | Raças Médias | Raças grandes |
|
| 6 meses | 17 anos | 12 anos | 6 anos |
| 12 meses | 22 anos | 20 anos | 12 anos |
| 18 meses | 25 anos | 23 anos | 16 anos |
| 2 anos | 27 anos | 25 anos | 22 anos |
| 4 anos | 29 anos | 39 anos | 40 anos |
| 6 anos | 36 anos | 51 anos | 55 anos |
| 8 anos | 46 anos | 63 anos | 75 anos |
| 10 anos | 55 anos | 75 anos | 94 anos |
| 12 anos | 62 anos | 85 anos | - |
| 14 anos | 68 anos | 95 anos | - |
| 16 anos | 76 anos | - | - |
| 18 anos | 87 anos | - | - |
Um alimento adaptado ao período de idade matura deve ser:
- Especialmente enriquecido em vitaminas E e C, por forma a proteger o organismo contra os efeitos nocivos do “stress oxidativo”, ligado ao envelhecimento;
- Preparado com proteínas de elevada qualidade e restrição em fósforo;
- Rico em oligoelementos (ferro, cobre, zinco, manganésio), de modo a promover uma boa qualidade da pele e pelagem. A sua incorporação no alimento sob uma forma particular (oligoelementos quelados) permite favorecer a melhor utilização metabólica pelos animais maturos, cuja eficiência digestiva diminui;
- Enriquecido com ácidos gordos insaturados (óleo de soja ou de borragem) para a manutenção de uma boa qualidade da pelagem;
- Possuir um teor ligeiramente aumentado em fibras, por forma a fornecer um pouco mais de “volume” ao alimento. Esse aumento do nível de fibras permite lutar contra o risco de obstipação que acompanha a diminuição da actividade física do cão maturo;
- Facilitar a mastigação: com a idade, aumenta a frequência de problemas bucodentários entre os cães. Para que eles possam continuar a comer normalmente, é preciso que os croquetes sejam macios, adaptados ao tamanho do cão e dos seus dentes e maxilares.
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